Exposição Curto-circuito
A arte que corre em outros circuitos
No dia 24 de janeiro, inauguramos uma exposição que discute outros circuitos de difusão artística, para além das pinturas, esculturas e instalações típicas da arte contemporânea.
A exposição apresenta:
— Jotapê é um artista que trabalha no circuito da tatuagem e uma das suas especialidades é o retrato. Muitos tatuados pedem retratos de pessoas queridas e até mesmo de seus pets. Para a Curto-Circuito, o artista propõe criar retratos em forma de tatuagem e entregar um carimbo e um porta-retrato com o desenho original assinado pelo artista. 1.500 reais

— Daniel Melim apresenta o Livro Único, um livro de artista, uma obra original, com pinturas e desenhos em todas as páginas feitas do mesmo tecido usado em suas grandes telas. Pode-se dizer que é uma pintura “folheável”, para ser saboreada em pedaços. É também uma prova de que o artista tem a incrível capacidade de lidar com escadas tão grandes quanto a do mural da Luz (que ficava em frente à Pina)… e tão delicadas quanto o Livro Único. Detalhe: a capa e a sobrecapa que envolve o livro é de “lona de caminhão”, outro material que Daniel Melim costuma usar em suas grandes pinturas. 10 mil reais

— O Coletivo Bijari é um dos grupo mais experimentais de sua geração e um explorador contumaz de circuitos alternativos ao mercado de arte. Eles se envolvem frequentemente com arquitetura, urbanismo, teatro, espetáculos, televisão, política e programas educativos e sociais / mas sempre conectando a arte em múltiplas plataformas. Para a Curto-Circuito, o Bijari está representado por uma instalação cujo leitmotiv aparece tanto nos lambe-lambes colados diretamente sobre a parede como no quadro em metacrilato que está pendurado na referida parede. Metacrilato 6 mil reais


— Tec trocou as telas tradicionais de tecido por telas de TV para fazer a sua pintura gestual e expressiva. Só que a pintura se conecta com o que está passando na TV quando ela está ligada. As vídeo-colagens do artista se fundem com as pinceladas para formar uma pintura em movimento. Os vídeos são todos feitos com drones e são imagens do movimento urbano. 35 mil reais


— O circuito das artes gráficas tem muitos caminhos a descobrir e Mariana Martins descobriu um dos mais elaborados suportes para a sua arte: os Diplomas, que incorpora múltiplas linguagens, da caligrafia à assemblage, da filatelia à lacração. Seu primeiro Diploma-Arte em 1976 de presente para o pai, o também artista (autodidata, porém Honoris Causa, Aldemir Martins). Nunca deixou o suporte de lado. Para a exposição Curto-Circuito, Mariana produziu dez obras-diplomas originais. compre o seu diploma e tenha seu nome caligrafado pela artista. 1.500 reais


— Obras-objetos do artista Jaca: peças em forma de figuras imaginárias que se conectam com as figuras que o artista pinta em suas telas. Esses objetos não podem ser considerados “toy art” termo ligado às figuras produzidas industrialmente que se apropriam da estética dos brinquedos e geram produtos colecionáveis. Jaca ironiza e inverte essa lógica ao criar peças únicas, gestuais, que reutiliza justamente embalagens descartadas, os rejeitos da indústria de consumo. 3mil reais cada

— Curto-Circuito convidou o premiado designer gráfico brasileiro Rico Lins para expor alguns cartazes de tiragem única, contendo sobreposições, ruídos e improvisações na velha máquina de letterpress da gráfica Fidalga. O artista não costuma expôr obras originais, o que torna esta, uma oportunidade rara. Quando descobrimos essa incrível gráfica perdida no tempo, Rico Lins já tinha passado por lá antes. Cada uma dessas peças únicas (99cm X 69cm) de Rico Lins custa 1.200 reais.

— Cartazes da Oficina Arara produzidos em serigrafia expressionista e radical pelo coletivo português.
As gravuras, que são também cartazes e eventualmente lambe-lambes têm a energia e o impacto gráfico de pôsteres de bandas dos anos 1960. No site a da Arara a definição: “Coletivo fundado em 2010 e sediado num beco do Porto, é um laboratório de actividade psicotrópica e de inflamação sónico-visual… Ao longo dos anos arrepiou fronteiras dentro e fora de portas, criando parcerias umbilicais com diferentes tribos de grafistas e activistas bárbaros”. Somos nós mesmos uma dessas tribos. De 400 a 600 reais


— Elisa Stecca produziu em parceria com Willy Biondani a caixa Tangências / Alumbramento que é uma experimentação gráfica que reúne materiais diversos como tecidos, papeis e laminados numa publicação etérea e inusitada. Faz parte de uma série de obras “folheáveis” que a artista vem produzindo e mostrando em instituições como a Choque Cultural e o Museu da Imagem e do Som. A caixa Tangências / Alumbramento é, por sinal, uma espécie de versão “pocket” da exposição de mesmo nome realizada em 2025 no MIS – uma experiência imersiva onde o público passeava pelas páginas abertas de um “folheável” monumental. 400 reais

Livro Xirugravuras é uma edição histórica da Editora Choque Cultural, realizada em 2008 na gráfica Fidalga encadernada à mão. A publicação foi produzida em papel fino e colorido de lambe-lambes com xilos de 28 artistas gaúchos com curadoria do também artista Carlinhos Dias. Teve tiragem de 400 livros e ainda temos algumas peças no nosso acervo, que estamos disponibilizando para a exposição Curto-Circuito. 600 reais cada livrão!



— Um dos circuitos mais inspirados da arte irreverente é o skate, um espaço apropriado por artistas de diversas correntes estéticas. Assim com a camiseta a partir dos anos 60, a prancha (shape) de skate é plataforma para intervenções artísticas. Takashi Murakami, Jeff Koons e muitos artistas do graffiti assinaram skates. Alguns foram direto para as paredes de galerias, mas o interessante é que muitos foram usados de verdade antes de se eternizarem nos museus. A arte participa da vida real e é colecionada por jovens que fazem isso naturalmente, como estilo de vida. Na Curto-Circuito podem ser apreciados shapes de Narcélio Grud, Sérgio Adriano H, Flávio Samello e Daniel Melim. De 5 a 7 mil reais.



Paralelamente à exposição Curto-Circuito na galeria Choque Cultural, o artista Alê Jordão estará apresentando uma individual na galeria White Box dentro do Hotel Rosewood. A exposição “Skate Hotel”, como o nome indica, é inspirada na cultura skate e mostra obras esculturais como um skate todo feito de aço inoxidável pesando 35 kg, um skate de vidro temperado e rodas que acendem ao se movimentar ou skates desenhados em neon. Durante as exposições, incentivamos o público a fazer a dupla visita, pois os endereços são próximos (saindo da Choque, suba a Campinas, atravesse a Paulista, vire logo na São Carlos do Pinhal e entre na linda Alameda Rio Claro e você já chegou no Rosewood). Quem estiver na Choque, poderá ver uma de suas obras mais icônicas: a poesia concreta de Alê Jordão instalada em neon na fachada da galeria: YOUTOPIA.

Texto curatorial por Baixo Ribeiro
A contracultura dos anos 1960 já apontava caminhos alternativos, como a arte postal, os livros pop-ups de Haroldo de Campos e Júlio Plaza, as maletas do Grupo Fluxus, repletos de badulaques assinados por artistas como Joseph Beuys e John Cage — e as notas carimbadas de Cildo Meireles, reunidas sob o subtítulo “Inserções em Circuitos Ideológicos”.
Nos anos 2000, novas gerações entraram com força na exploração de circuitos alternativos ao mercado e à indústria cultural. Se os “velhões” da contracultura precisaram enfrentar a opressão política de seu tempo, a garotada do novo milênio teve de lidar com as artimanhas das gigantes digitais.
A Choque Cultural identificou a importância desses movimentos desde o início, apesar de sua invisibilidade para o circuito tradicional da arte. Afirmou o graffiti e a tatuagem como movimentos artísticos relevantes, apresentou lambe-lambes em feiras, produziu coleções de postais, stickers, caixas com objetos do cotidiano transformados em arte e os mais variadas publicações de artista.
A Editora Choque Cultural foi fundamental para recolocação e atualização da produção artística contracultural no Brasil do século XXI. E ajudou a inserir o país no mundo global através das muitas exposições e parcerias estabelecidas em seus 23 anos de atuação. Parceiros como P.O.W (a oficina Pictures On Walls do artista britânico Banksy) que por anos imprimiu gravuras de artistas da Choque como Titi Freak, MZK, Silvana Melo e Daniel Melim; a Gráfica Fidalga, especialista em impressões tipográficas populares em lambe-lambes com a qual fizemos até um livro de xilogravuras; Ou a tradicional Gráfica Almavera, especializada em litogravuras de qualidade. Mas também exploramos as técnicas de impressão mais diversas como linóleo, serigrafia, carimbos, rotogravura, frotagem, clicheria e um grande etcetera.
A exposição Curto-Circuito acende novos holofotes sobre esse assunto. Após o lançamento do livro Supermercado de Arte e os Heróis Marginais, Baixo Ribeiro afirma: “a arte que acontece na periferia do grande mercado está mais viva do que nunca.
A contracultura está sendo atualizada, e os artistas estão revendo sua própria inserção nos circuitos ideológicos contemporâneos.”
No dia 7 de fevereiro, a Choque promove uma mesa de debate sobre os novos circuitos das artes digitais e generativas, com a presença dos artistas Sylvia Sanchez e André Cebola.
A exposição acontece na Galeria Choque Cultural,
Alameda Sarutaiá, 206 – Jardim Paulista.
A abertura será no dia 24 de janeiro, das 10h às 17h.
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