Após anos dedicados à expografia, a artista retoma sua produção autoral transformando a experiência das marés em camadas de memória e matéria.
Magda Paiva é uma artista visual cuja trajetória é marcada por um retorno essencial. Com formação em Artes Plásticas e uma longa experiência na realização de projetos culturais, ela volta à pintura trazendo uma maturidade técnica e sensível. Suas obras, que fogem da representação óbvia da paisagem, investigam o mar como um campo de tensão, repetição e memória.
Neste artigo você vai ler sobre:
- O Retorno à Pintura: Maturidade e Expografia
- O Mar como Campo Sensível e não Paisagem
- Séries Principais: Convivendo com as Marés, Anáfora e Epifania
- Materiais e Processo: A Construção do Tempo na Imagem
O Retorno à Pintura: Maturidade e Expografia
A trajetória de Magda Paiva possui um arco narrativo interessante. Formada em Artes Plásticas, ela dedicou um longo período de sua carreira à expografia e à realização de projetos culturais — ou seja, cuidando da apresentação da arte de outros.
Agora, Magda retoma a pintura e o desenho como gestos essenciais. Esse retorno não é um recomeço do zero, mas uma continuidade enriquecida. Ela traz para o ateliê uma maturidade construída no intervalo entre o “fazer artístico” e o “fazer expositivo”, resultando em uma prática consciente e tecnicamente apurada.
O Mar como Campo Sensível e não Paisagem
O eixo central da obra de Magda é a experiência do mar, do tempo e da memória. No entanto, é fundamental notar que ela não aborda o mar como uma “paisagem” turística ou estática.
Para a artista, o oceano é um campo sensível. É um território de tensão constante entre presença e ausência, entre o visível e o invisível. Sua obra investiga o movimento, a repetição e a instabilidade como estados inerentes à existência, usando a água como metáfora para a fluidez da vida.
Séries Principais: Convivendo com as Marés, Anáfora e Epifania
Essa investigação poética se materializa em séries de destaque, como Convivendo com as Marés, Anáfora e Epifania. Nelas, a resistência e o fluxo são temas recorrentes.
O gesto pictórico de Magda surge como uma forma de insistência: pintar é um ato de permanência diante da impermanência das marés. Cada obra funciona como um registro de um tempo que não para, mas que a arte tenta capturar e suspender.
Materiais e Processo: A Construção do Tempo na Imagem
Tecnicamente, Magda Paiva transita entre a pintura, o desenho e a massa gráfica. Seu processo é marcado pela exploração de camadas, densidades e ritmos.
Ela não busca a imagem instantânea; pelo contrário, seu trabalho instaura o tempo no plano da imagem. A materialidade das obras convida o espectador a um “olhar demorado”, propondo que ele habite o intervalo sutil que existe entre a forma, a memória e a sensação.
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