Fotógrafa brasileira leva série sobre “suspensão do tempo” para Bienal no Japão

Fotógrafa brasileira leva série sobre “suspensão do tempo” para Bienal no Japão

Com exposições marcadas em Osaka e na Escola Panamericana, Angel Marks utiliza o preto e branco para criar imagens que funcionam como pausas visuais.

Em um mundo saturado pelo fluxo incessante de imagens coloridas e instantâneas, a fotografia de Angel Marks propõe o caminho inverso: a desaceleração. A artista visual, cuja pesquisa foca na imagem como um espaço de silêncio e suspensão, acaba de ser selecionada no Prêmio Portfólio FotoDoc 2026. O reconhecimento impulsiona uma temporada de circulação internacional: em setembro deste ano, sua série “O Intervalo” aterrissa na Ásia para integrar a I Bienal de Papel e Fotografia, no Enokojima Art Center, em Osaka, Japão.

Antes de cruzar o oceano, o público brasileiro poderá conferir o trabalho em São Paulo. A série tem exposição agendada para março de 2026, na Escola Panamericana de Arte e Design.

A estética do silêncio

A obra de Angel Marks é definida por uma abordagem conceitual contemporânea, executada rigorosamente em preto e branco. A ausência de cor tem um propósito claro: reduzir a imagem ao essencial, onde apenas a luz e a textura conduzem o olhar.

Em “O Intervalo”, a fotógrafa investiga paisagens naturais e objetos simbólicos, mas a presença humana é mínima ou aparece apenas como vestígio. Não há uma narrativa linear ou uma história sendo contada; há, segundo a artista, uma “permanência”.

“A paisagem deixa de ser cenário e passa a existir como campo de duração. As imagens propõem um intervalo: um tempo de silêncio onde o espectador permanece”, descreve a pesquisa da artista.

Fotografia como objeto

Outro diferencial do trabalho de Marks é a compreensão da fotografia para além da parede. Sua produção incorpora processos de impressão e edição editorial, desdobrando-se em instalações e livros de artista.

Nesse formato, a fotografia deixa de ser apenas um registro visual para se tornar um objeto tátil. A materialidade do papel e a edição das imagens são partes fundamentais da experiência de “contemplação” proposta pela obra, reforçando o convite para que o observador pause e experimente o tempo dilatado que a série sugere.

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