Série de pinturas une psicologia e folclore para resgatar personagens esquecidos na era digital

Série de pinturas une psicologia e folclore para resgatar personagens esquecidos na era digital

Artista visual e escritor André Calazans utiliza giz pastel e tinta acrílica em obras que priorizam a emoção e dialogam com o expressionismo para explorar a identidade humana.

Em um movimento de contracultura à velocidade do consumo de imagens nas redes sociais, o artista visual André Calazans desenvolve uma pesquisa que busca a pausa e a profundidade. Vindo de uma trajetória consolidada na literatura (poesia e prosa) e na composição de sambas, ele transporta a narrativa para as telas na série “Retratos Simbólicos”, onde investiga a condição humana e resgata figuras do imaginário popular que correm o risco de apagamento.

A produção atual, que já conta com cerca de vinte obras finalizadas, foge do retrato realista tradicional. A proposta de Calazans são os close-ups (retratos de perto) focados na expressão psicológica. A coleção reúne figuras humanas, animais e criaturas imaginárias que funcionam como conceitos visuais, unidos por uma significância arquetípica.

Técnica: O Gesto sobre a Perfeição

A execução das obras prioriza a intensidade cromática e a liberdade do traço. Utilizando giz pastel oleoso e tinta acrílica sobre papel de alta gramatura, tela e painel telado, a produção se concentra em pequenos e médios formatos (entre 30x40cm e 50x60cm).

A estética dialoga diretamente com o pós-impressionismo, o expressionismo e o simbolismo, vertentes que colocam a emoção acima da representação fiel da realidade. “O desafio é traduzir complexidade emocional em imagens de impacto visual intenso, usando a técnica como meio”, destaca a diretriz do projeto. O processo criativo é descrito como intuitivo, muitas vezes partindo de um desenho que sofre transformações radicais ou de uma aplicação espontânea de cor, incorporando o “risco” e o imprevisto como elementos da obra.

Literatura e Memória Visual

A pesquisa visual é sustentada por uma formação plural, que inclui a vivência com produção gráfica em agências de publicidade e a gestão de acervos de arte. No entanto, é a bagagem literária que fornece a narrativa para as pinturas.

Segundo o artista André Calazans, responsável pela série, o objetivo futuro é expandir a investigação para retratar elementos da cultura brasileira que sobrevivem apenas na memória oral, nos livros de história ou no folclore rural e urbano, mas que acabam esquecidos na dinâmica digital contemporânea.

Em obras onde a geometria fragmenta rostos ou onde a cor dissolve contornos, a série propõe uma narrativa visual sobre uma humanidade em permanente mutação — vulnerável, múltipla e simbólica.

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