Inspirada pelo legado de Nise da Silveira, a artista e educadora Bella alia a produção estética à consciência climática em escolas públicas, enquanto consolida sua pesquisa visual em salões de arte do Sudeste.
O debate sobre a inclusão no ambiente escolar ganha eficácia quando o currículo tradicional é adaptado para atender às necessidades do desenvolvimento cognitivo e emocional. Essa é a premissa de iniciativas aplicadas no interior do estado do Rio de Janeiro, onde a prática artística deixa de ocupar um papel secundário para atuar como ferramenta central de equidade e acolhimento para estudantes com necessidades educacionais específicas.
A articulação dessa metodologia é conduzida pela artista plástica e educadora Bella (Isabella Gomes De Carvalho). Com formação no magistério pelo Instituto de Educação Professor Joel Moneratt e graduanda em Pedagogia pela UERJ, ela atua há quatro anos no setor de educação inclusiva. Durante sua passagem pelo Colégio Estadual Mariano Procópio, a educadora estruturou suas práticas nas diretrizes da psiquiatra Nise da Silveira, que reconhece a arte como uma manifestação legítima do mundo interno.
Esse embasamento teórico foi aplicado diretamente no acompanhamento de alunos atípicos. O uso sistemático de tintas, música e produção artística estruturou um espaço de escuta que permitiu, por exemplo, o estímulo motor e cognitivo de um estudante com Síndrome de Down e deficiência intelectual, garantindo seu desenvolvimento de forma integral.
Além da frente inclusiva, a metodologia adotada nas salas de aula explora as urgências contemporâneas, como a crise climática. Em um projeto interdisciplinar de conscientização ambiental, os alunos aprenderam a produzir tinturas a partir de recursos naturais. O material ecológico foi utilizado para confeccionar peças com a técnica tie-dye, como blusas, panos e meias. A ação foi aberta a toda a comunidade escolar, promovendo a integração entre os estudantes e fomentando o diálogo sobre sustentabilidade e preservação.
Paralelamente ao impacto social promovido nas escolas, a pesquisa visual da artista ocupa o circuito de exposições institucionais. Trabalhando com pintura abstrata e técnica mista sobre tela e madeira, Bella integrou marcos recentes no calendário cultural de 2025. Em junho, sua obra esteve no V Salão de Artes Visuais promovido pelo Núcleo de Arte e Cultura do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), em Cachoeiro de Itapemirim. Em outubro, participou da 5ª edição da exposição de artes plásticas e literatura “Arte que fala”, no Centro Cultural Estação Nogueira.
A intersecção entre o ateliê e a sala de aula evidencia uma abordagem onde a arte transcende a contemplação estética, funcionando como uma via concreta para a transformação pessoal e a promoção do diálogo social.
