Com texturas densas e figuras em estado de travessia, a artista Viviane Coghi utiliza a pintura a óleo como ferramenta de resistência e validação do empoderamento das mulheres na sociedade.
Em uma era definida pela aceleração das imagens e pelo excesso visual cotidiano, a produção de arte volta a reivindicar o tempo dedicado à contemplação. É nesse território de pausa, silêncio e interioridade que se consolida a pesquisa da artista visual Viviane Coghi. Suas obras evitam o espetáculo imediato para propor uma experiência que exige escuta e envolvimento do espectador, transformando o intervalo entre o ponto de partida e o destino em um campo profundo de reflexão social.
A base de sua investigação visual parte da figura humana, com ênfase na construção da identidade e do empoderamento feminino. Utilizando principalmente óleo sobre tela, desenho e técnicas secas, a artista rompe com representações superficiais ou estereotipadas. As pinceladas abertas, as texturas densas e a sobreposição de tintas evidenciam de forma material que a trajetória das mulheres não é linear. Os corpos femininos são retratados como presenças sensíveis, conscientes de si, muitas vezes em estado de espera ou deslocamento, refletindo força autêntica e vulnerabilidade.
Em trabalhos recentes, a figura humana também dá lugar a embarcações, campos cromáticos e paisagens suspensas. Esses elementos funcionam como metáforas visuais para o deslocamento físico e simbólico, debatendo a fragilidade das certezas em um cenário contemporâneo instável. A cor atua não apenas como preenchimento, mas como estrutura emocional, deixando o processo criativo e o gesto da artista totalmente visíveis na superfície da obra.
Ao transformar experiências íntimas em uma linguagem coletiva, Viviane Coghi cria espaços de reconhecimento onde sentimentos como pertencimento, autonomia e força silenciosa são compartilhados. Dessa forma, sua pintura ultrapassa o limite puramente estético e insere-se diretamente no debate cultural. A obra atua como uma ferramenta de validação da potência feminina, provando que a identidade é, fundamentalmente, uma construção de história e resistência.
