Linguagem do corpo moldam a pintura multidisciplinar na arte contemporânea

Jani Leal une sua experiência como modelo profissional e memórias afetivas para criar pinturas em tela e tecido explorando a cor azul e a subjetividade.

Memórias visuais e sensoriais arquivadas desde a infância atuam como o principal motor criativo da artista visual Jani Leal. Observando sua mãe desenhar desde os cinco anos de idade, a criadora potiguar desenvolveu uma capacidade intensa de registrar paisagens, sons e detalhes efêmeros que hoje transbordam de forma visceral para as telas.

Esse percurso focado na expressão imagética, iniciado de maneira autodidata, alcançou os espaços públicos precocemente, marcando sua primeira exposição aos 14 anos durante a I Conferência Municipal de Cultura de Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte, em 2013. Atualmente dividindo-se entre a pesquisa matérica profunda e as salas de aula, a produção contemporânea funde pintura, arte digital e saberes têxteis herdados de sua linhagem familiar.

Experiência nas passarelas e a exploração da anatomia humana

Vivências cruzadas entre a moda e as artes plásticas refinam diretamente a percepção espacial presente no ateliê. Somando cerca de nove anos de atuação como modelo profissional, essa experiência constante nos bastidores fotográficos influencia a maneira exata como a artista traduz o movimento, a presença e a anatomia em suas composições. Essa investigação corporal ganhou contornos ainda mais definidos em 2026, através de estudos práticos com modelo vivo organizados pelo Coletivo Vértebra, resultando na mostra coletiva “O Corpo Presente”, sediada na Caravela Cultural, em João Pessoa. Cursos de modelagem básica, costura industrial pelo SENAI e pintura em tecido enriquecem esse processo, costurando a estética do design de moda ao fazer manual rústico.

Protagonismo cromático e a materialização das memórias

Cores intensas, com forte protagonismo do tom azul turquesa, alinham as diferentes fases e suportes desse acervo em franca expansão. Utilizando a pintura a óleo e a acrílica como mídias principais no momento, a paleta explora temáticas ligadas à natureza, identidade e subjetividade, dialogando com referências históricas de peso como Frida Kahlo, Vincent van Gogh, Edvard Munch e Marina Abramović. Ponto de virada absoluto na carreira, a tela “Solitude” (2024) materializa essa maturidade estética. Surgida a partir de uma imersão fotográfica nos manguezais e viveiros da região de Bela Vista, a obra inaugurou uma série de produções de alto impacto emocional que incluem títulos como “Colmeia”, “Chá de Camomila”, “Eu Morro Todos os Dias e Ninguém Vê” e a pintura em andamento “O Pescador”, dedicada à figura de seu pai.

Ensino artístico e os desdobramentos audiovisuais na Paraíba

Projetos educativos e a democratização do fazer artístico caminham rigorosamente lado a lado com a rotina de estúdio. Retomando as atividades do Ateliê Azul Turquesa, a criadora atua ativamente como professora de artes, promovendo oficinas de iniciação para públicos diversos — desde escoteiros no interior do Rio Grande do Norte até novos alunos na capital paraibana. Inserida no circuito acadêmico formal no segundo semestre de 2026, a pesquisa segue em constante aprofundamento na Escola Estadual de Arte da Paraíba. Cruzamentos poéticos entre palavra e imagem também despontam como um horizonte promissor, impulsionando a futura publicação de um livro de poesias ilustrado e o desenvolvimento do projeto audiovisual “A Metamorfose Azul”. Todo esse processo de descoberta e as novas telas podem ser acompanhados através do canal oficial no Instagram [@jani.lealart].

Ficha Técnica / Registro Documental Fotografias utilizadas no material relacionadas ao trabalho da artista e à sessão fotográfica da obra “Solitude” são de autoria de Mateus Barros, artista visual e fotógrafo.