O artista visual e educador Jr Zapata utiliza o muralismo e a gestão cultural para democratizar o acesso à arte, impactando novas gerações.
A cultura do graffiti como ferramenta de pertencimento e identidade
A ausência de museus, galerias e centros culturais na infância não impediu que a expressão visual se tornasse um projeto de vida e uma missão de transformação social. Nascido em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, e filho de uma professora e um pintor de paredes, o artista visual e muralista conhecido como Jr Zapata encontrou na cultura Hip Hop e no graffiti os caminhos para comunicar seus questionamentos. Radicado no Ceará há mais de oito anos, ele consolidou uma trajetória de mais de duas décadas pautada pela ocupação criativa dos espaços públicos, transitando entre o muralismo e a pintura para dialogar com a memória, a justiça social e a valorização dos territórios.
O festival CumbuCOR e as inspirações nordestinas
Com um processo criativo fundamentado na observação das relações humanas e das histórias locais, o produtor cultural busca inspirações diretas na arte urbana contemporânea e nas manifestações populares, especialmente as nordestinas. Um dos grandes marcos de sua atuação no estado foi a idealização do festival CumbuCOR. O projeto transformou a tradicional vila de pescadores do Cumbuco em uma imensa galeria de arte a céu aberto, reunindo artistas de diversas regiões do Brasil e evidenciando a potência da arte como motor para o turismo, a integração comunitária e o desenvolvimento local sustentável.
A gestão no ITEVA e a democratização do acesso à cultura
A vivência de crescer sem referências próximas no setor cultural motivou o muralista a dedicar grande parte de sua carreira à democratização do acesso às experiências artísticas. Esse compromisso atingiu um novo patamar em 2023, ao assumir um cargo de direção no Instituto Tecnológico e Vocacional Avançado (ITEVA), uma organização da sociedade civil com mais de 30 anos de atuação no Ceará. Como gestor, passou a coordenar iniciativas focadas em adolescentes em situação de vulnerabilidade, a exemplo dos projetos Empodera Jovem, LaborArte e Jovem Artista. As ações utilizam o fazer artístico para fortalecer a autoestima, estimular o pensamento crítico e ampliar as perspectivas de futuro dos estudantes.
Exposições em Eusébio e a projeção de jovens talentos
Os reflexos práticos dessa gestão educacional já ultrapassam os muros das salas de aula. Após a realização da primeira mostra dos participantes do LaborArte, o ciclo formativo prevê novas exposições marcadas para os dias 31 de julho, 4 de agosto e 7 de agosto de 2026. O ápice do projeto consistirá em uma grande mostra coletiva instalada em um dos principais shoppings da região de Eusébio, colocando mais de 40 jovens artistas na posição de protagonistas durante uma semana inteira. O evento contará com visitas guiadas para cerca de 600 alunos da rede pública de ensino, reforçando a meta de impactar positivamente mais de mil jovens até o final de 2026.
Enxergando a estética muito além do visual, o produtor cultural consolida sua atuação em três dimensões indissociáveis: o artista que cria, o educador que compartilha e o gestor que articula oportunidades. Todas as fotografias que documentam essas intervenções urbanas e educacionais levam a assinatura do fotógrafo Vinicius Silvestre (@_viniciussilvestre). Para acompanhar de perto as obras de muralismo, as exposições dos jovens talentos e os novos desdobramentos dos projetos sociais realizados no Ceará, o portfólio e a rotina do educador estão disponíveis no Instagram [@jrzapataarte].
