
A exposição Corrente Contínua relaciona pintura e vídeo e, ao apresentar as obras, expõe um novo tipo de linguagem: a pintura sobre imagens em movimento.
O artista é pintor, mas também é cineasta. Como pintor, TEC explora escalas e suportes extremos: das pequenas telas feitas com pincéis finos aos imensos murais, como o do Minhocão, com mais de sessenta metros de altura, preenchido com muita tinta, rolos, extensores e máquinas elevatórias.
Como cineasta, TEC realiza a proeza de reinventar o modo de assistir, ao apresentar colagens de vídeos que são, ao mesmo tempo, múltiplas narrativas assistidas simultaneamente e um único filme, composto por fragmentos de vídeos articulados entre si.


Não bastassem essas duas potências, o artista as funde em um único objeto: um monitor de TV digital, tratado como transmissor de vídeos e, ao mesmo tempo, como suporte para a pintura. TEC borra a tela com tinta, passa o rolinho, a brocha, o pincel e o spray diretamente sobre a superfície vítrea da TV, recobrindo parte da videocolagem que o aparelho apresenta.

Essa operação realizada por TEC dialoga com uma longa história de transformações da pintura. Ao longo do século XX, a pintura progressivamente abandonou a ideia de que deveria estar limitada à tela tradicional. Passou a ocupar paredes, objetos, edifícios e o próprio espaço urbano. Ao pintar diretamente sobre a televisão, TEC dá continuidade a esse processo de expansão, incorporando à pintura não apenas um novo suporte, mas uma superfície que produz luz e contém imagens em movimento.

A televisão ocupa um lugar importante na história da arte desde a segunda metade do século XX. Artistas como Wolf Vostell e Nam June Paik retiraram o aparelho do ambiente doméstico e o transformaram em matéria artística. A televisão deixou de ser vista apenas como um veículo destinado à transmissão de programas e passou a ser compreendida como objeto, escultura e geradora de imagens. Com essas experiências, surgia a videoarte, que questionava tanto a linguagem da televisão quanto as formas tradicionais de produção e exibição da arte.
TEC retoma essa história, mas realiza uma operação diferente. Ele não utiliza o monitor apenas para apresentar um vídeo nem o transforma somente em objeto escultórico. A superfície da TV recebe a ação direta do pintor. A tinta cobre algumas partes da imagem e mantém outras visíveis, criando uma relação variável entre o que foi pintado e aquilo que continua passando por trás da pintura. O vídeo nunca aparece por completo, assim como a pintura nunca permanece igual, pois é continuamente modificada pela luz, pelas cores e pelos movimentos emitidos pela tela.


As obras de Corrente Contínua encontram-se, portanto, em um território intermediário. São pinturas, vídeos e objetos ao mesmo tempo. Nelas, uma linguagem não serve apenas de suporte para a outra: pintura e vídeo agem conjuntamente na construção da imagem. TEC aproxima a materialidade da tinta da imaterialidade da imagem digital, o gesto físico do pintor do fluxo eletrônico do vídeo e a permanência da pintura da duração do cinema. A imagem final não está inteiramente pronta nem pode ser apreendida de uma única vez. Ela se renova continuamente diante do espectador.




LINKS :
Veja aqui vídeos assinados pelo artista
Serviço:
Exposição: Corrente Contínua individual do artista Tec
Local: Choque Cultural
Alameda Sarutaiá, 206, São Paulo
Abertura: 26 de setembro de 2026
Visitação: terça a sexta, das 11h às 18h
Sábados, 10h às 17h
Entrada gratuita

