Uma trajetória que une a precisão da arquitetura, a teoria das cores e o universo onírico para debater aceitação e resiliência através das artes visuais.
O contato inicial com o universo das artes visuais muitas vezes molda a percepção de mundo de um criador desde a infância. Esse despertar ocorreu ainda no Rio de Janeiro, durante os anos no Colégio Corcovado, onde o manuseio lúdico dos pincéis começou a se transformar em ofício. A relação com a paleta de cores possui uma forte raiz familiar, herdada do pai, vendedor de tintas gráficas e também desenhista na juventude. O aprofundamento técnico veio com os estudos na escola Quanta, em São Paulo, que trouxe o domínio do preto cromático — obtido pela mistura de cores primárias —, um recurso essencial que afasta a monotonia das telas e flerta diretamente com o fauvismo. Embora a formação em arquitetura tenha inicialmente imposto uma busca por linhas retilíneas e rigorosas, o processo de amadurecimento artístico pós-faculdade guiou a produção para um traço orgânico. Hoje, a estética abraça o imperfeito, evidenciando o suporte, a cor natural do papel e a marca visceral do pincel.
O universo onírico e a expansão para o mercado asiático
O planejamento de uma obra pode se assemelhar à complexidade de um projeto arquitetônico ou editorial. Durante o ano de 2022, o processo criativo encontrou sua principal âncora no imaginário dos sonhos. A prática de anotar narrativas noturnas e ilustrá-las tornou-se uma metodologia corrente, permitindo que uma única grande ideia orientasse o desenvolvimento de séries inteiras. Essa forte conexão narrativa aproxima intensamente o trabalho do mercado de ilustração profissional. O apuro técnico e visual das composições já ultrapassa fronteiras, rendendo recentemente um retorno positivo de uma agência japonesa, o que projeta o início de uma promissora colaboração internacional para os próximos meses.
Saúde mental, resiliência e os registros em cadernos
A arte atua como um espelho direto da condição humana e das batalhas invisíveis. Como portador do transtorno esquizoafetivo, a produção visual tornou-se um canal para debater a sanidade, a resiliência, o luto pelo que não se pode mudar e, mais recentemente, a aceitação. O percurso, no entanto, exige pausas. Após uma crise aguda recente, o processo de trabalho precisou ser repensado, resultando em um hiato na pintura em tela. A criação encontrou refúgio nos cadernos, onde a escrita e o desenho a lápis de cor mantêm a engrenagem criativa em movimento. A única pintura finalizada no ano vigente é a tela “Ser alguém”, que retrata a figura de uma criança e um jacaré. A retomada da produção em grande escala nas telas está atrelada ao esvaziamento do atual apartamento, que hoje se encontra tomado por obras finalizadas.
A gestão cultural, a música e a busca por novos circuitos
A inquietação criativa também se desdobra na música, mantida como uma paixão amadora, mas produtiva, acumulando quatro trabalhos publicados e a criação de vídeos semanais. No campo das artes plásticas, o momento é de estruturação estratégica. Ao lado do produtor Vitor Campanário, o foco atual é a organização para o edital da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) local. Paralelamente, a dupla busca ativamente parcerias com galerias consolidadas no eixo Rio-São Paulo, uma movimentação necessária para superar a aridez da paisagem cultural do interior e inserir o portfólio no circuito das grandes capitais. Toda a rotina de produção, os desenhos em cadernos e os projetos musicais podem ser acompanhados através do Instagram [@lcstoffel], que conta com registros visuais assinados pelo fotógrafo Luyz Renó.
