Vestígios do cotidiano ganham dimensão material na produção visual

A artista visual Carol Parrô une linguagens que vão da escultura à ilustração digital para investigar como as vivências e os vínculos transformam a matéria.

Influências inventivas frequentemente nascem na observação silenciosa do ambiente familiar. Para a artista visual Carol Parrô, esse primeiro contato com o fazer manual ocorreu de forma orgânica ao acompanhar os processos de seu pai, que encontrava na pintura de azulejos e na construção de objetos um refúgio para a mente. Apesar dessa forte herança criativa e de experimentações plurais durante a adolescência, passando pela música, moda e grafite, o percurso profissional acabou se distanciando da arte, direcionando-se inicialmente para a Publicidade e Propaganda e, mais tarde, para o setor administrativo.

Esse hiato terminou em 2019, durante um curso de História da Arte na Pinacoteca de São Bernardo do Campo. Dentro do ateliê aberto da instituição, a conexão com os materiais foi restabelecida, devolvendo a consciência de sua própria identidade visual e impulsionando o início de uma produção autoral contínua no ano seguinte.

Diálogo entre múltiplas linguagens e a percepção do espaço habitado

Cursos de especialização e formações técnicas transformaram definitivamente a maneira como a produção plástica do ateliê passou a interagir com os espaços. Em 2021, o diploma em Design de Interiores evidenciou como objetos e composições visuais são capazes de transmitir personalidade e abrigar histórias. Visando sustentar essa visão abrangente, o aprimoramento segue em movimento através de pós-graduações em andamento nas áreas de Arteterapia e de História da Arte e Design. Esse vasto repertório teórico permite uma transição fluida por diversas frentes, englobando escultura, pintura, ilustração digital, muralismo, desenho e colagem. Cada escolha de material atua diretamente na narrativa da obra, fazendo com que a textura, a cor e a forma assumam o protagonismo na construção de sentidos.

Sentimentos invisíveis e a eternização dos vínculos

Toda essa versatilidade técnica é costurada por um eixo conceitual rigoroso: a investigação do afeto tratado como uma matéria invisível. Pesquisas visuais buscam registrar a presença que se deposita nas coisas, os vestígios das experiências humanas e as marcas indeléveis deixadas pelos relacionamentos. Atravessadas por temáticas envolvendo a feminilidade, o corpo, o amor e a espiritualidade, as criações funcionam como dispositivos físicos que resgatam a memória afetiva e abrigam o intangível.

Tensionando os limites entre a matéria e a lembrança, a produção questiona o que permanece de cada indivíduo nos objetos que toca e nos ambientes que habita, oferecendo ao público obras onde o universo íntimo ganha peso e dimensão tátil. Todo o desenvolvimento prático, bem como o acervo completo de obras, incluindo fotografias assinadas por Alice Romero, estão documentados no portal oficial www.carolparro.com.br e no perfil no Instagram [@parro.feitocomamor].