Fragmentos de memória e natureza moldam técnica mista na pintura contemporânea

Radicada na Suíça, a artista Carolina Lacerda explora suas raízes culturais e vivências globais através da pintura acrílica e da técnica mista.

Vivências multiculturais frequentemente moldam a identidade visual de criadores contemporâneos. Radicada na Suíça há uma década, a artista Carolina Lacerda transforma sua bagagem global em narrativas plásticas carregadas de texturas. Nascida no Brasil e com formação executiva em Administração de Empresas e MBA em Marketing, o fazer criativo sempre acompanhou sua trajetória, desde aulas de piano no conservatório até experimentações artesanais e desenhos na infância. Permanecer no mesmo país por um longo período, após décadas transitando entre culturas e idiomas diferentes, ofereceu a estabilidade necessária para que, a partir de 2019, a produção em tela deixasse de ser um interesse secundário e assumisse o protagonismo profissional em sua rotina.

Experimentação matérica e a sobreposição de fragmentos

Materiais diversos ditam o ritmo investigativo dentro do ateliê europeu. Longe de buscar uma estética rígida, o processo criativo flui livremente através da técnica mista, unindo pintura acrílica, aquarela, lápis de cor e pastéis sobre suportes de tela, painéis de madeira e papel. Colagens assumem um papel central nessa estruturação visual. Criar e pintar os próprios papéis para depois fragmentá-los e reuni-los permite a construção de uma imagem onde cada pedaço carrega sua própria história. Cursos realizados na Escola Panamericana de Arte, em São Paulo, somados a retiros de pintura no sul da França e imersões na técnica do mosaico com pastilhas de vidro, ajudaram a refinar esse olhar para texturas, camadas e sobreposições orgânicas.

Botânica, laços afetivos e o conceito de raízes em movimento

Elementos da flora e arquiteturas imaginárias atuam como os principais eixos temáticos desse portfólio. Árvores traduzem a busca constante por pertencimento, flores inserem delicadeza cromática nas composições, e casas funcionam como metáforas visuais para os inúmeros lares deixados para trás ao longo das viagens. Partindo inicialmente de estudos de cores em cadernos, as formas costumam ganhar vida de maneira puramente intuitiva sob os pincéis. Movimento, transição e transformação tornam-se sensações visíveis aos olhos do público, refletindo a convicção de que é possível estar em constante deslocamento geográfico sem perder a capacidade de fincar raízes sólidas e contínuas.

Sustentabilidade e o alcance do acervo no mercado internacional

Responsabilidade ambiental caminha lado a lado com o ofício diário. Consciente da toxicidade de aglutinantes e vernizes, a criadora implementou um rigoroso sistema de reciclagem, recolhendo e descartando adequadamente em centros locais até mesmo a água utilizada na lavagem diária dos pincéis. Essa postura meticulosa estende-se ao cuidado com os colecionadores, que já levaram suas pinturas para paredes de países como Portugal, Holanda, Austrália, República Tcheca e Estados Unidos.

Consolidando sua presença institucional através de mostras relevantes como a SWISS ARTEXPO em Zurique, o foco atual visa fortalecer o contato direto com galeristas e novos admiradores no mercado brasileiro. Bastidores do ateliê, processos de colagem e telas disponíveis para aquisição marcam presença frequente no canal oficial do Instagram [@carol.lacerda.art].