Arte sustentável: gravuras transformam a memória potigua

Arte sustentável: gravuras transformam a memória potigua

Atuando no Rio Grande do Norte, o artista Douglas Buso une arte sustentável e xilogravura para democratizar o acesso à cultura.

A produção artística costuma nascer de uma necessidade íntima de expressão, mas atinge sua verdadeira força quando passa a observar o comportamento humano. Essa foi a virada na trajetória do arte-educador e artista plástico Douglas Buso. Formado em Artes Visuais no Mato Grosso do Sul e atualmente radicado no Rio Grande do Norte, ele transformou sua criação em um grande estudo antropológico. Ao centralizar sua pesquisa na arte sustentável, suas obras deixaram de ser apenas registros pessoais para se tornarem reflexões visuais sobre como interagimos com a natureza, criando um manifesto sobre a urgência de repensarmos o uso dos recursos naturais na sociedade contemporânea.

Sustentabilidade e o resgate de materiais descartados

Para debater a ação humana no meio ambiente, a escolha dos materiais precisava ser coerente com o discurso. Por isso, a pesquisa visual do artista é fundamentada na apropriação de elementos naturais e resíduos industriais que foram descartados. Trabalhando com linguagens tridimensionais, como o entalhe em madeira e pedra, a modelagem em argila e a montagem de peças variadas (assemblagem), ele constrói totens, estruturas e painéis cheios de texturas e relevos. Esse processo de construir, desconstruir e reconstruir prova que a sustentabilidade na arte vai muito além da teoria: ela acontece na prática, quando o que era considerado lixo ganha o status de obra de arte e passa a provocar a percepção do público.

Arte-educação e o impacto direto na juventude

A democratização do acesso à cultura é o pilar que sustenta as ações do artista fora do ateliê. Com mais de dez anos de atuação e especialização em metodologia de ensino, Buso utiliza a xilogravura e a fotografia como pontes para jovens em situação de vulnerabilidade social. Os números de seu impacto são expressivos: através de projetos como “Demaré nas Escolas” e “Seridó Cine”, ele já ministrou dezenas de oficinas, alcançando milhares de alunos de forma direta e indireta no interior potiguar. Nessas aulas, a arte deixa de ser um luxo distante e se transforma em uma ferramenta prática de autoconhecimento, geração de renda e libertação emocional.

A expansão narrativa para o cinema e a fotografia

A inquietação criativa natural do artista também o levou a explorar o audiovisual, contribuindo ativamente para a interiorização do cinema no Rio Grande do Norte. Sua visão estética marcou presença na direção de arte de documentários recentes, alcançando o papel de roteirista e diretor no filme “Treme Chão” (2025), que documenta a tradição popular dos caboclos de Major Sales. Paralelamente, suas intervenções urbanas com painéis fotográficos em estilo lambe-lambe mostram que a rua também é um suporte válido para contar as histórias da comunidade, unindo a precisão da fotografia com a agilidade da arte urbana.

O resgate da memória potiguar e o acesso ao acervo

O compromisso com a valorização do território ganha um novo capítulo com a produção atual de uma série de xilogravuras para o projeto “Inventário do Elefante Potiguar”, idealizado pela sua marca, Buso Arte Br. As gravuras nascem a partir de retratos e vivências coletadas durante suas andanças pelo interior do estado, criando um arquivo visual riquíssimo da cultura local.

Para curadores, educadores e colecionadores que desejam acompanhar a evolução desse inventário, apoiar seus projetos sociais ou adquirir obras que unem responsabilidade ambiental e excelência técnica, o contato direto com o artista é feito através do Instagram [@buso_arte_br]. Acompanhar sua produção é ter a certeza de que a arte contemporânea brasileira possui uma voz ativa, consciente e transformadora.

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