O artista Claudio Copello utiliza a técnica mista e recortes de papel para criar uma arte ambiental que denuncia a destruição da natureza.
A construção de um vocabulário estético consistente exige tempo e imersão institucional. Natural de Salvador e radicado em Petrópolis (RJ) desde 2001, o artista plástico e educador Claudio Copello estruturou sua pesquisa através de passagens por espaços fundamentais do circuito. Com formação iniciada na Escola de Belas Artes da UFBA, sua trajetória foi expandida na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), no Rio de Janeiro, onde estudou com nomes como Anna Bella Geiger, João Magalhães, Marcelo Campos e Chico Cunha, além de receber orientação da curadora Lia do Rio no Calouste Gulbenkian. Essa sólida bagagem acadêmica garante que sua arte ambiental não seja apenas um apelo visual, mas uma produção fundamentada em rigor técnico.
A materialidade do papel e a técnica mista
O ateliê do artista funciona como um laboratório de reaproveitamento e investigação cromática. Utilizando a técnica mista sobre papel ou tela, a tinta acrílica encontra recortes de revistas, papéis Canson e moldes reaproveitados. A inserção desses materiais recicláveis não é acidental, mas uma escolha que dialoga diretamente com o conceito sustentável de sua obra. Em composições que integram formas orgânicas e geométricas, as texturas visuais ganham protagonismo. A cor atua como uma constante indiscutível em sua produção ao longo de mais de 25 anos, conferindo dinamismo e força a cada nova narrativa pictórica.
O discurso político e a defesa do território
A excelência plástica dessa pesquisa atua a serviço de um manifesto ecológico e social. O trabalho de Copello vai além da representação de flores ou personalidades; ele estrutura uma denúncia clara contra a destruição da natureza e a tomada predatória do habitat dos animais pelo ser humano. Esse engajamento engloba também a defesa incisiva do respeito aos povos originários, da diversidade de crenças e dos direitos humanos. Transformar essas pautas urgentes em um discurso visual exige a capacidade de converter a tensão contemporânea em uma obra instigante para o olhar do observador.
Validação institucional e presença no circuito
O reconhecimento da crítica acompanha o amadurecimento de seu acervo. Copello já acumulou duas indicações na categoria Artes Plásticas do Prêmio Maestro Guerra Peixe de Cultura, em Petrópolis: a primeira em 2010, pela individual “Floressências”, e a mais recente em 2025, com a coletiva “Territórios Urbanos”.
Atualmente, seu trabalho ganha espaço na exposição “Setenta e Sete Minutos” no SESC Três Rios, sob curadoria de Josiana Oliveiras, além de manter uma obra em exibição temporária no Museu do Gato. Para curadores e colecionadores que buscam produções com consciência ecológica e técnica aprimorada, o contato direto ocorre através do Instagram [@claudiocopelloartes].
