Arte têxtil explora amarras e nós do universo feminino

Arte têxtil explora amarras e nós do universo feminino

A artista Leila Bokel utiliza a arte têxtil, o tingimento e a estruturação por nós para criar obras que refletem as tensões do universo feminino.

A busca por uma linguagem autoral muitas vezes é impulsionada pela privação material. Com formação sólida pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV) e pelo Atelier Guilhermina Virtual (sob orientação de Isabel Portella e Jozias Benedicto), Leila Bokel construía sua poética inicial sobre o papel. Contudo, em 2011, a interrupção da importação de seu material de eleição forçou uma revisão drástica em seu suporte de ateliê. A artista migrou para os tecidos, iniciando uma pesquisa focada na transparência, na qualidade e na leveza. Esse novo meio exigiu adaptação técnica, acolhendo processos intensos de tingimento manual, dobras e rasgos que redefiniram permanentemente sua trajetória plástica. 

A exaustão do gesto e o protagonismo do fio 

A materialidade de sua obra sofreu uma nova evolução, desta vez guiada pelo limite físico do fazer artesanal. Em sua primeira série, “Fios tingidos”, a artista assumia o desgaste de rasgar o próprio tecido tingido para criar suas tramas. Em 2015, quando suas mãos já não suportavam a fricção contínua do processo, a adoção do fio de algodão pronto — em espessuras variadas e também submetido ao tingimento autoral — tornou-se uma seleção imposta pelo próprio corpo. O que antes era um elemento coadjuvante ganhou protagonismo absoluto, permitindo que as linhas assumissem o comando de seu processo construtivo. 

A arquitetura de nós como metáfora estrutural 

Afastando-se das costuras tradicionais ou dos tecidos soltos que frequentemente dominam a produção contemporânea, a artista estrutura suas peças puramente através de amarras e nós firmes. Essa arquitetura feita aos pedaços cria um jogo visual de contenção e expansão, onde os fios conseguem escapar organicamente pelas frestas. Essa dinâmica de efemeridade e transparência ultrapassa a mera experimentação estética, atuando como uma metáfora rigorosa para as experiências, as tensões e os questionamentos profundos que habitam o universo feminino. 

Reconhecimento institucional e o avanço para a instalação 
O amadurecimento formal de seus volumes, agora permeados por títulos filosóficos, tem garantido uma forte validação institucional. Com histórico no 16º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Jataí (2018), seu acervo recente acumula premiações de peso, organizadas por Muriah Brasil: a Medalha de Ouro na categoria Arte Têxtil (Melhores Artistas do Ano) na Casa de Cultura Odisséia (2024), com a obra “Isso tem história”, e a Medalha de Prata na 3ª Expo Brasil Amazônia (2025), com a peça “Foi só um momento”. Obras significativas como “Amigos eternos e infinitos” já circularam pelo Centro Cultural Correios (RJ) e pelo Museu Histórico da Cidade (RJ). Aberta a projetos sociais que aproximem a arte do público infantil, sua produção avança agora para o campo das instalações, comprovando que o equilíbrio visual nasce da firmeza de cada nó.

Acompanhe a evolução dessas tramas, descubra o processo por trás das novas instalações e mergulhe em uma pesquisa estética única seguindo o perfil [@leila_bokel].

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