A marca Casa Hübbe, de Fernanda Hübbe, utiliza a cerâmica autoral em Tubarão (SC) para ensinar o público a desacelerar através da modelagem.
O ritmo imposto pela gestão de negócios frequentemente exige válvulas de escape estruturadas para evitar o esgotamento. Imersa na rotina de comandar uma empresa familiar, Fernanda Hübbe encontrou na modelagem muito mais do que um passatempo: um espaço essencial de pausa, silêncio e reconexão. Dessa necessidade psíquica de desacelerar, nasceu há cerca de oito meses a Casa Hübbe. O projeto, que teve sua gênese de forma improvisada na sacada de sua residência em Tubarão (SC), estrutura-se no mercado atual como uma marca de peças autorais focada em traduzir estados emocionais em textura, cor e forma.
O processo orgânico e o tempo da matéria
O rigor técnico da produção é inteiramente assumido de forma manual pela criadora, percorrendo desde a seleção da matéria-prima até a reciclagem da argila, esmaltação e finalização. Utilizando métodos que variam entre a construção por placas, o uso de moldes e a modelagem livre, a artista submete-se conscientemente à temporalidade da matéria. Em um circuito onde uma única peça exige um ciclo de 20 a 30 dias de maturação, a aceitação de que a terra, a água e o fogo possuem a palavra final sobre o resultado do forno é encarada não como uma limitação, mas como um rigoroso exercício estético de presença e entrega.
A expansão do olhar e a resposta tátil
A materialidade de seu acervo afasta-se propositalmente do mero utilitarismo decorativo. A pesquisa visual da Casa Hübbe exige uma expansão perceptiva que ultrapassa as paredes do ateliê, pautando-se na observação atenta das cores da natureza, dos movimentos e das texturas invisíveis do cotidiano. O momento crucial da modelagem atua como um canal tátil onde a intenção da criadora é transferida para o barro. A finalização de cada objeto só ocorre quando há uma constatação empírica de conexão visual e sensorial, seja pela aplicação de uma frase específica, pela aspereza de uma textura ou por uma combinação cromática intencional.
Expansão estrutural e o fomento do ensino
O amadurecimento dessa proposta estética gerou uma demanda orgânica que forçou a evolução física do projeto. Movida pela procura crescente por aulas e vivências manuais, a artista prepara atualmente a transição de sua sacada para a abertura de um espaço amplo e dedicado ao ensino formal da cerâmica. O objetivo estrutural do novo ateliê vai além da comercialização: visa utilizar o contato tátil com a argila para ajudar o público a respirar, desconectar-se do excesso tecnológico contemporâneo e resgatar o orgulho intrínseco da criação manual.
Para acompanhar essa expansão estrutural e a abertura de novas turmas, o contato ocorre através do Instagram [@casahubbe]
