Arte tradicional e design 3D traduzem a agitação do obras em telas

Arte tradicional e design 3D traduzem a agitação do obras em telas

Após anos desenvolvendo projetos para gigantes do entretenimento, o artista Gus Lima encontra na pintura tradicional uma ferramenta para expressar o TDAH.

O início na tatuagem e a fundação do próprio estúdio criativo

A versatilidade é uma característica marcante na trajetória de profissionais que ousam transitar por múltiplas vertentes criativas. A jornada nas artes visuais, que teve início profissional em 2006 nas sessões de tatuagem, estendeu-se até 2010, momento em que o interesse pelo universo 3D abriu as portas para o mercado publicitário. Atuando em uma produtora, o foco voltou-se para a criação de peças impressas para grandes clientes, como Chevrolet, Mastercard e Oi. Esse período de amadurecimento técnico serviu como base para um passo ainda mais ambicioso: a abertura do Limetown Studios, fundado em parceria com sua esposa. O estúdio marcou uma fase essencialmente generalista, abrangendo desde o design de embalagens para aquários e criação de logotipos para o programa Caldeirão do Huck, até o desenvolvimento de maquetes eletrônicas para o setor da construção civil.

O salto internacional e a criação de propriedades intelectuais

A busca por especialização no design de personagens para games motivou uma mudança estratégica para os Estados Unidos, por volta de 2015. A imersão em cursos e a presença constante em eventos do setor fortaleceram o networking, rendendo os primeiros clientes internacionais e transformando definitivamente os rumos do negócio. O retorno ao Brasil consolidou essa nova fase, permitindo parcerias com gigantes da indústria do entretenimento e tecnologia, incluindo Disney, Marvel, Blizzard, Riot e Adobe. A evolução constante do estúdio culminou, em 2020, em um rebranding estratégico, dando origem à Mad Boogie Creations, que passou a focar tanto na prestação de serviços quanto no desenvolvimento de propriedades intelectuais originais. O ímpeto empreendedor também resultou, em 2025, na co-fundação da Bluetech Art, uma nova empreitada focada na criação de produtos inovadores para o mercado automotivo.

A pintura como refúgio terapêutico e expressão visual do TDAH

A intensa movimentação no mercado digital e automotivo despertou o desejo de explorar outras materialidades, conduzindo a um retorno à arte tradicional após décadas de distanciamento. Telas, itens de moda e objetos de decoração tornaram-se o novo suporte para experimentações autorais, permitindo a incorporação de referências estéticas que não encontravam espaço nos rígidos briefings comerciais, como as obras de Basquiat, Kaws e Virgil Abloh. A pintura assumiu o papel de terapia e libertação criativa, executada sem planejamento prévio e guiada pela música. Utilizando o recurso da poluição visual proposital, a arte tornou-se a ferramenta ideal para expressar a ansiedade e o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

A sobreposição caótica de pensamentos ganha forma nas pinceladas livres, resultando em composições que traduzem a agitação interna em obras visuais autênticas. O acervo completo de trabalhos e as novas experimentações na arte tradicional podem ser acompanhados através do perfil no Instagram [@gustlima].

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