Após uma sólida carreira acadêmica, a artista visual Mary Cuzin une sua formação em psicologia à produção de telas acrílicas e assemblage.
O tempo dedicado à construção de uma carreira acadêmica muitas vezes adia o encontro definitivo com a produção criativa. Com doutorado em Psicologia da Educação e Psicodrama pela Unicamp, uma longa trajetória na docência universitária e atuação na gestão pública, a inserção integral no meio artístico só se tornou possível após a aposentadoria, formalizada em janeiro de 2020. A mudança de ritmo permitiu uma realocação para o Sul de Minas Gerais, passando pelos municípios de Andradas e Poços de Caldas. Foi nesse período, a partir de 2021, que o interesse latente pelas artes passou da observação para a prática. A entrada no universo cultural ocorreu inicialmente através da música, com o estudo de teoria musical em conservatório e a atuação como coralista, paixão que se mantém ativa hoje através da participação no Coral da Unimed-BH.
A busca por uma assinatura autodidata na pintura
O ingresso nas artes plásticas começou de forma estruturada, através de um breve curso de pintura em tela. No entanto, a necessidade de romper com o formato acadêmico e estruturalista falou mais alto. Em 2024, a decisão de seguir como autodidata marcou a busca por uma identidade plástica livre e autoral. A mudança para Belo Horizonte, em janeiro de 2025, funcionou como o principal catalisador para a profissionalização dessa nova etapa. O objetivo passou a ser a consolidação de uma carreira onde a pintura funciona como uma extensão do psicodrama, atuando como condutora de descobertas e transformações emocionais, tanto para quem cria quanto para quem observa.
Materialidade e a expressão do inconsciente na tela
A produção visual afasta-se da reprodução literal de paisagens para focar em referências figurativas guiadas por memórias, literatura e música clássica, sempre tocada durante o processo de ateliê. A base técnica concentra-se no acrílico sobre tela, mas a composição ganha complexidade através do diálogo com a técnica mista e a assemblage. A justaposição de colagens de diferentes texturas, a inserção de objetos tridimensionais, o uso da costura e as interferências com lápis de cor aquarelável criam obras ricas em camadas. Esse processo constrói uma narrativa abstrata que convida o espectador a traçar sua própria interpretação, transformando a observação da arte em um exercício de resgate da autoestima e do amor-próprio.
A expansão criativa e a circulação das obras
Além da dedicação às artes plásticas e à música, o campo de pesquisa visual também se desdobra em projetos paralelos voltados para as artes cênicas e para a moda, entendendo o vestuário como um segmento cultural de valorização da singularidade dos corpos e de respeito à personalidade. No circuito de exposições, o cronograma já projeta a expansão de seu alcance institucional. Entre agosto e setembro de 2026, as telas “Cisne Negro no Jardim de Monet” e “A Menina dos Girassóis” integrarão a 51ª Semana de Portinari. Com o objetivo de alcançar novos espaços culturais até 2027, todo o desenvolvimento de suas técnicas mistas, colagens e novas coleções pode ser acompanhado através do perfil oficial da artista Mary Cuzin no Instagram [@marycuzin].
