A artista Michelle Fernanda resgata sua essência criativa ao trocar a engenharia química pela modelagem manual, criando peças exclusivas e cheias de personalidade.
Trajetórias profissionais consolidadas frequentemente escondem talentos criativos adormecidos que buscam um novo suporte para se manifestar. Para a ceramista Michelle Fernanda, essa redescoberta ocorreu após anos de dedicação exclusiva à área de química e engenharia. Conhecida no mercado corporativo apenas pelo sobrenome, a artista encontrou no trabalho com o barro uma forma de resgatar sua verdadeira essência, adotando seu nome de batismo para assinar e nomear a própria marca neste novo capítulo de vida. A virada teve início há cerca de dois anos e meio, durante viagens de trabalho a Uberaba, onde o contato com ateliês locais transformou o que era apenas curiosidade em uma imersão profunda e definitiva no universo da modelagem, estabelecendo hoje sua base criativa na cidade de Catalão, em Goiás.
Diálogo constante com a matéria-prima e o imprevisto
Técnicas clássicas de construção manual, como o uso de placas, acordelado e pinch pot, formam a base estrutural da produção do ateliê. Submetidas a queimas de alta temperatura, as criações utilitárias e decorativas fogem da busca pelo controle absoluto. O fazer artístico prioriza a liberdade de experimentação, permitindo que o próprio material participe ativamente das decisões construtivas. Dias de alegria, angústia, solidão ou euforia atravessam diretamente a produção, fazendo com que cada vaso, caneca ou jarro carregue não apenas uma função física, mas um reflexo direto do tempo e dos sentimentos investidos durante a feitura.
Obras singulares nascidas da intenção e do acidente
Peças moldadas a partir de imprevistos ou de intenções poéticas profundas marcam o atual amadurecimento estético da produção. Um exemplo emblemático dessa fase é o conjunto “O que o fogo deixou”, esculpido em argila preta Vesúvio a partir de uma base espiral que não resistiu ao formato planejado, revelando a beleza da aceitação diante da ação imprevisível do calor. Outras criações, como a série “Fluxo Selvagem”, conversam visualmente entre si, enquanto a obra “Onde Mora a Esperança” ganha forma através de um vaso verde adornado com flores de copo-de-leite esculpidas na argila para durar. Apesar das novas explorações conceituais, a peça de maior valor simbólico no acervo continua sendo a primeira caneca produzida com o nome de sua filha, Isa, que representa o marco inicial e a força motriz de sua capacidade de criação com as próprias mãos.
Multiplicação de saberes e conexões presenciais
Compartilhar o conhecimento técnico tornou-se uma missão fundamental dentro da nova rotina de trabalho. Oficinas de cerâmica e aulas presenciais abrem espaço para que curiosos e iniciantes coloquem a mão na massa, vivenciando o relaxamento e o foco exigidos pela argila. Esse movimento de troca evidencia que o ato de moldar é uma via de mão dupla, onde a criadora também aprende e é transformada pelas vivências de suas alunas. A preferência pelo contato humano direto estende-se à comercialização das obras. Embora o portfólio completo marque presença no ambiente digital, as vendas e conversas presenciais acompanhadas de um café representam a forma ideal de criar conexões genuínas. Todas as coleções, peças utilitárias e bastidores da queima podem ser conferidos através dos perfis da marca Michelle Fernanda no Instagram [@michelle_fernanda_ceramicas] e no TikTok [@michelle.nanda.ceramica].



