Artista cria pinturas inéditas em mosteiro budista unindo a natureza à filosofia de Ifá

Artista cria pinturas inéditas em mosteiro budista unindo a natureza à filosofia de Ifá

Destaque na Bienal de SP e na exposição “Dos Brasis”, Sheila Ayo apresenta a série “Caminhos de Odé”, fruto de uma imersão de 20 dias nas montanhas do Espírito Santo.

O que acontece quando a filosofia de matriz africana encontra o silêncio contemplativo de um templo budista? A resposta está nas telas recentes da artista visual Sheila Ayo. Iniciada na cultura de Ifá (Omo Ifá), Sheila acaba de retornar de uma experiência singular: uma residência artística no Mosteiro Zen de Ibiraçu (ES), onde desenvolveu sua nova série de pinturas, “Caminhos de Odé”.

Participante do projeto “Pensar a Floresta” (2026), com curadoria de Clara Sampaio, a artista passou 20 dias imersa na natureza. O resultado é um estudo profundo sobre tons de verde e azul, inspirados na planície montanhosa da região. “Foi uma experiência inesquecível unindo arte e natureza”, relata Sheila. As obras não apenas retratam a paisagem, mas traduzem a conexão espiritual entre o ambiente e a ancestralidade, temas centrais em sua pesquisa.

Imagens Vitor Nogueira

Uma trajetória de expansão e reconhecimento

A carreira de Sheila Ayo é marcada por uma ascensão consistente. Formada em Artes Visuais e com pós-graduação em Arte Educação e Sociedade pela PUC-SP, ela começou sua jornada em 2008, no Grande ABC. A partir de 2018, seu trabalho rompeu fronteiras regionais, ganhando destaque na capital paulista e no cenário internacional.

Seu currículo recente impressiona. Em 2023, Sheila realizou uma ativação artística na Bienal de São Paulo, colaborando com o coreógrafo americano Will Rawls na obra “A Phase That Fits”. Ela também integrou a aclamada mostra itinerante “Dos Brasis” (Sesc) e a exposição “Um Defeito de Cor”, consolidando seu nome entre as vozes mais potentes da arte afro-diaspórica contemporânea.

Arte como ferramenta de defesa social

Para além da estética, a produção de Sheila é um ato político e social. Sua pesquisa articula passado, presente e futuro, abordando narrativas de resistência feminina e pensamentos decoloniais — trabalho que já lhe rendeu destaque em veículos como Folha de S. Paulo e na revista internacional New City Chicago.

A artista defende que sua arte serve como plataforma para pautas urgentes: “Defendo a igualdade de direitos para mães e mulheres, o bem-estar social e mental, e o direito ao exercício da espiritualidade”, afirma.

Com passagens por importantes residências artísticas, como a Sertão Negro (2025) e a Residência Kaaysá (2021), além de exposições em feiras de prestígio como SP-Arte e ArtRio — e até uma coletiva em Moçambique —, Sheila Ayo reafirma que a arte contemporânea brasileira é, acima de tudo, um território de encontro entre culturas, crenças e preservação da vida.

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