O desenho realista usa o papel kraft para eternizar memórias na arte

O desenho realista usa o papel kraft para eternizar memórias na arte

O artista Mateus Barbosa Pereira utiliza o desenho realista sobre papel kraft para transformar o retrato em uma ferramenta de memória e conexão.

A trajetória visual frequentemente exige a coragem de romper com caminhos já estabelecidos. A jornada de Mateus Barbosa Pereira ilustra perfeitamente essa tensão entre a estabilidade e a vocação autêntica. Após ingressar na Licenciatura em Matemática no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e vivenciar o cotidiano do ensino em escolas públicas durante seu estágio, o desconforto e a falta de pertencimento o faziam recorrer ao desenho como válvula de escape. O ponto de virada definitivo ocorreu em 2023, instigado por um debate em uma aula de sociologia sobre o propósito da educação. Assumindo sua verdadeira aptidão, ele redirecionou sua carreira em 2024 e, atualmente no terceiro semestre da Licenciatura em Artes Visuais pela FAAP, prepara-se não apenas para produzir obras, mas para atuar como um educador de arte comprometido.

O papel do retrato frente à fotografia contemporânea

No circuito da arte contemporânea, o figurativismo clássico é frequentemente questionado em relação à hegemonia da fotografia instantânea. Enfrentando essa crítica no ambiente acadêmico, o artista formulou uma defesa conceitual sólida para a sua prática. Para ele, o desenho realista transcende a mera estética ao atuar como um exercício profundo de eternização de detalhes. Enquanto as fotografias são infinitamente replicáveis e muitas vezes esquecidas em álbuns virtuais, o processo manual exige um tempo de observação que grava as expressões e os sentimentos do sujeito retratado diretamente na memória e na experiência do próprio criador.

A materialidade do kraft e a expansão para o óleo

Curatorialmente, a escolha do suporte é tão importante quanto o tema. Após períodos de experimentação visual, a base técnica de Mateus consolidou-se no uso do papel kraft. A tonalidade terrosa desse material, combinada com a precisão tátil do lápis de cor e os focos de luz gerados com caneta branca, confere vibração orgânica aos rostos que ele retrata. Atualmente, o ateliê encontra-se em fase de expansão técnica com a introdução da tinta a óleo, um meio que vem permitindo novas investigações tanto na estruturação de seus retratos quanto em suas primeiras abordagens do paisagismo.

A validação institucional no Museu de Arte Brasileira

Mesmo ainda no início de sua formação superior, o rigor de sua pesquisa visual já garantiu uma inserção institucional de peso. Em 2025, sua produção foi selecionada para o prestigiado 55º Anual de Arte, permanecendo em exibição por três meses no Museu de Arte Brasileira (MAB-FAAP). Essa validação atesta o potencial de seu desenvolvimento no circuito acadêmico e cultural.

Para o público interessado em acompanhar sua evolução contínua nas artes plásticas e sua futura atuação como educador, o acervo de retratos e o contato direto estão disponíveis no Instagram [@ti_retratando].

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