Cerâmica abstrata funde formas orgânicas e pintura intuitiva

Cerâmica abstrata funde formas orgânicas e pintura intuitiva

O encontro entre a modelagem manual e a pintura abstrata estrutura peças únicas de Ana Lage, que celebram a estética da imperfeição e a poética do cerrado.

A materialidade da argila, quando desvinculada de sua função estritamente utilitária, transforma-se em um suporte denso para a investigação plástica. Operando nessa intersecção, a artista mineira Ana Tereza Camilo Lage — que assina como Ana Lage — estrutura sua produção no encontro direto entre a cerâmica e a pintura abstrata intuitiva. Sua base metodológica é fundamentada pela academia: graduada com Licenciatura em Artes Plásticas e dupla habilitação em Pintura (2017) e Cerâmica (2018) pela prestigiada Escola Guignard (UEMG), a criadora estabelece uma poética onde a tridimensionalidade do barro atua como tela para gestos livres e espontâneos. Embora a modelagem tenha transformado seu fazer, o traço pictórico permanece como sua principal identidade.

A poética do cerrado e a recusa da simetria

Longe da busca industrial pelo acabamento impecável, o cerne de sua assinatura visual reside no conceito da beleza da imperfeição. O acervo de seu ateliê, operante desde 1997 em Belo Horizonte, é marcado por peças únicas de bordas irregulares e formas orgânicas. O repertório estético que alimenta essa produção afasta-se de referências engessadas para beber diretamente da aridez e da força da natureza nacional — especificamente o cerrado e o sertão —, além de absorver os encontros cotidianos e a carga emocional da artista. O resultado empírico é uma obra profundamente conectada à sensibilidade do gesto.

Validação curatorial e inserção no mercado de luxo

A solidez dessa pesquisa material rendeu inserção contínua em circuitos de alto padrão e reconhecimento curatorial crítico. Premiada na XVIII Mostra Interna da Escola Guignard (2018), a ceramista expandiu sua capilaridade comercial em São Paulo através de plataformas e vitrines como Boobam, Balaio Home e Branco Casa, além da participação na Feira na Rosenbaum (2021). O alcance de sua escultura transcende o espaço residencial, passando a compor a atmosfera de projetos corporativos de luxo, como o hotel Rosewood São Paulo (2021) e o Visa Infinite Privilege Lounge no Aeroporto de Guarulhos (2025).

O endosso editorial e a filosofia do ateliê

O respaldo da crítica acompanhou a expansão mercadológica de sua obra, refletindo-se em publicações consecutivas na revista Casa Vogue (agosto de 2024 e agosto de 2025). No âmbito internacional e institucional, destaca-se sua inclusão no livro Proud South Craft (2025), sob a exigente curadoria da pesquisadora holandesa Lidewij Edelkoort, bem como sua presença em mostra curada por Mary Arantes no Museu de Artes e Ofícios em Belo Horizonte (2025).

Para além das chancelas do mercado, o rigor de sua produção continua pautado na filosofia de que a arte atua como um autoencontro; uma conexão onde emoção e força se convertem em matéria verdadeira. O acervo e os desdobramentos de sua pesquisa podem ser acompanhados através do perfil [@analage_ceramicas].

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