RUA: Substantivo feminino

RUA: Substantivo feminino

SESC SANTO AMARO – De 8 de agosto a 28 de fevereiro de 2027

RUA: Substantivo feminino

As artistas tomam conta da cidade

Desde o surgimento do grafite contemporâneo, nos anos 1970, até o final do século XX, a rua foi marcada por uma presença predominantemente masculina. Nas primeiras décadas do século XXI, porém, esse cenário mudou profundamente. Mulheres passaram a ocupar a cidade, transformando uma presença antes pontual em uma força estruturante da produção artística. O que era exceção tornou-se protagonismo.

Rua: Substantivo feminino celebra essa transformação e convida o público a refletir sobre ela. A exposição procura compreender quem são essas artistas, quais caminhos abriram, quais desafios ainda enfrentam e quais perspectivas apontam para o futuro da arte urbana.

A seleção das artistas presentes na exposição não estabelece hierarquias nem pretende definir uma narrativa única da arte urbana. O que as aproxima não é uma estética comum, mas a compreensão da cidade como espaço de encontro e da arte como método colaborativo de transformação. A curadoria procurou reunir artistas de diferentes regiões do Brasil para revelar a diversidade de pesquisas, técnicas e experiências que caracterizam a produção feminina, presente tanto nos grandes centros quanto em cidades de diferentes portes.

A mostra evidencia também a amplitude das linguagens da arte urbana. Spray, estêncil, pintura mural, gravura, artes gráficas e impressas, colagem (lambe-lambes e adesivos), caligrafia, têxteis, instalações, performances e projeções formam um repertório em permanente expansão. A exposição propõe que o público participe e experimente algumas dessas linguagens. Oficinas, atividades práticas e ações educativas convidam visitantes de todas as idades a produzir, experimentar e compartilhar processos criativos.

Essa dimensão participativa não se limita às atividades presenciais. Como plataforma aberta, Rua: Substantivo feminino incorpora vídeo-portfólios de artistas de todo o Brasil, exibidos continuamente no espaço expositivo e também em plataformas digitais. Mais do que apresentar obras, a exposição busca fortalecer redes de colaboração, ampliar a circulação de artistas e reafirmar a arte como uma forma de transformar a cidade e criar espaços de afeto, encontro e pertencimento.

RUA: Substantivo feminino

BIANCA HABIB | Bebedouro, 1980

Artista visual, arquiteta e educadora, Bianca Habib formou-se em Arquitetura e Urbanismo pelo IAU-USP, onde também concluiu o mestrado em Teoria e História da Cidade. Vive em São Carlos. O jogo e a infância orientam sua pesquisa sobre a cidade como habitat compartilhado entre humanos e outros seres. Desenvolve murais, estênceis, carimbos e colagens sempre com a intenção de ampliar a participação do público em seu trabalho.

GUGIE CAVALCANTI | Brasília, 1993

Artista visual e arte-educadora, Gugie Cavalcanti nasceu em Brasília e vive no Rio de Janeiro. É bacharela em Artes Visuais e desenvolve uma pesquisa sobre cidade, sociabilidade e cuidado, com ênfase no espaço público. Trabalha com pintura e performance, criando desde grandes murais a telas de menores formatos, além de ações que apontam para novas formas de convivência.

LAURA GUIMARÃES | São Paulo, 1978

Artista visual, graduada em Cinema pela FAAP e técnica em Artes Cênicas pelo Teatro-Escola Célia Helena, Laura Guimarães vive em São Paulo. Sua pesquisa parte do diálogo com mulheres para refletir sobre suas relações com a cidade e o cotidiano. Desenvolve murais, instalações, colagens de cartazes, pinturas em estêncil e trabalhos audiovisuais, tendo a palavra como elemento central de sua produção.

MAG MAGRELA | São Paulo, 1985

Artista visual autodidata, Mag Magrela nasceu em São Paulo e vive em Belo Horizonte. Sua pesquisa aborda o feminino, a ocupação do território, as relações interpessoais, a saúde mental e a magia. Produz obras em diferentes escalas como murais de grandes dimensões e telas de escalas menores.

Também apresenta instalações com teor performático que provocam novas formas de diálogo com o público.

MOARA | Rio Branco, 1991

Graduada em Design de Produto, artista visual, ilustradora, designer e agitadora cultural, Moara nasceu em Rio Branco (AC) e vive no Amapá, onde dirige o centro cultural Casa Viva. Sua pesquisa aborda a identidade amazônica em diálogo com a urbanidade de Macapá. A força feminina e as relações entre natureza, memória e território permeiam murais, ilustrações, trabalhos têxteis e instalações.

KATIA LOMBARDO | São Paulo, 1971

Artista visual e fotógrafa, Katia Lombardo é formada em Fotografia pelo Istituto Europeo di Design, de Milão. Sua pesquisa parte da observação dos espaços e das pessoas que os habitam, investigando as relações entre cidade, deslocamento e convivência. Trabalha com fotografia, estêncil, lambe-lambe, colagem, spray e tinta acrílica em intervenções urbanas e murais.

SIMONE SISS | São Paulo, 1972

Artista visual, Simone Siss nasceu e vive em São Paulo. Formada em Propaganda e Marketing, sua pesquisa se inspira em mulheres que desafiaram os limites de seu tempo, refletindo sobre os paradoxos da condição feminina contemporânea. Trabalha em escalas urbanas e interiores, principalmente com estêncil e spray, desenvolvendo murais, intervenções, instalações onde, além das imagens, a poesia escrita está sempre presente.

ERIKA MIZUTANI | São Paulo, 1974

Artista visual, Erika Mizutani nasceu e vive em São Paulo. Sua pesquisa aborda memória, ancestralidade e cura, articulando referências da cultura nipo-brasileira a elementos florais, figurações, cartuns e abstrações orgânicas. Sua linguagem combina delicadeza e força gráfica em murais, pinturas, ilustrações e obras sobre diferentes suportes, utilizando técnicas que vão da aquarela à arte digital.

SOBERANA ZIZA | São Paulo, 1989

Artista visual, bacharela em Design de Moda, licenciada em Artes e pós-graduada em Gestão Pública, Soberana Ziza vive e trabalha em São Paulo. Sua pesquisa aborda a negritude e o feminino a partir de uma visão urbana e contemporânea, valorizando a ancestralidade e discutindo a presença negra nos espaços da arte. Desenvolve murais, pinturas, intervenções urbanas e performáticas que articulam memória, identidade e arte contemporânea.

WALESKA NOMURA | São Paulo, 1976

Artista visual, Waleska Nomura iniciou sua trajetória no grafite em 1997. Sua pesquisa utiliza a arte urbana para estimular empatia, inclusão e senso de comunidade, reunidos no projeto Espalhando Amor, criado em 2004. Desenvolve murais, graffiti e ações participativas em diversos países da Europa e da Ásia. Seu trabalho foi apresentado em instituições como Itaú Cultural, Funarte e Memorial da América Latina, além de festivais internacionais.

CARLA BARTH | Porto Alegre, 1975

Artista visual e ilustradora, formada em Jornalismo pela PUCRS e em Artes Visuais pela UFRGS, Carla Barth nasceu, vive e trabalha em Porto Alegre. Sua pesquisa constrói uma figuração simbólica, povoada por seres humanos e não humanos em situações oníricas. Desenvolve pinturas, murais, esculturas, artes gráficas, ilustrações e intervenções urbanas, além de manter intensa produção editorial.

MARIANA PABST MARTINS | São Paulo, 1958

Curadora

Formada em arquitetura e urbanismo pela FAU-USP, Mariana se aproximou da arte urbana nos primeiros momentos dessa história, ao lado de artistas como Carlos Matuck e Maurício Villaça. Ao longo de uma prolífica carreira, a artista ampliou seu campo de atuação para a curadoria, arquitetura e todas as linguagens visuais, explorando especialmente a colagem em suas diversas possibilidades.

JULIANA CRISPE | Florianópolis, 1982

Curadora

Artista e curadora, é baseada em Florianópolis, onde é idealizadora e coordenadora do núcleo latino americano de artistas Coletivo Elza e Armazém. Essas iniciativas promovem a apresentação de artistas de toda a América Latina, por meio de exposições, projetos coletivos e da produção de gravuras e múltiplos. Mestre e doutora pela UFRJ com pós-doc pela UFF.

VIRNA LISI | Manaus, 1973

Curadora

Formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas, Virna Lisi é curadora de exposições e projetos urbanos dedicados à arte amazônida. Sua atuação articula arte, floresta, águas e comunidades, em parceria com museus e instituições culturais. Idealizou um barco-residência que convida artistas a pesquisar o território amazônico e desenvolver projetos junto às comunidades ribeirinhas de Manaus.

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