Após retornar de Israel, a jornalista e artista Carolina Rizzo une suas áreas de atuação para orientar criadores através de um hub independente do Google.
A fuga da zona de conflito e o refúgio na criação artística
Após dedicar 18 anos à cobertura de política e economia, a jornalista Carolina Rizzo vivenciou uma drástica mudança de rota pessoal e profissional. Em 2020, em plena pandemia, mudou-se para Jerusalém, em Israel, acompanhando o marido que assumiria um escritório de negócios na região, juntamente com o filho de apenas sete meses. Durante o período, manteve-se ativa na profissão atuando como correspondente freelancer para veículos de grande porte, como CNN, Estadão e Metrópoles, e, em 2022, deu à luz seu filho caçula. A estabilidade foi interrompida de forma abrupta em outubro de 2023 com a eclosão da guerra no país, forçando a família a fugir para o Brasil em um voo de repatriação da Força Aérea Brasileira (FAB). O impacto direto do conflito motivou a decisão de dar uma pausa no consumo e na produção de notícias pesadas, culminando em um mergulho definitivo nas artes, área que já vinha aprimorando através de aulas de pintura, cerâmica e cursos teóricos desde sua chegada ao Oriente Médio.
A experimentação no ateliê e a realidade do empreendedorismo
Já estabelecida no Brasil, inaugurou em 2024 seu próprio ateliê, onde passou a ministrar aulas de pintura em taças e cerâmica fria. O aprofundamento técnico continuou com o estudo da pintura a óleo, sob a tutela da professora Silvie Eidam. Em suas telas, o foco narrativo voltou-se para a representação de mulheres fortes, a exemplo de Frida Kahlo, em posturas de enfrentamento e repúdio a parceiros machistas. Paralelamente à pintura, especializou-se na produção de moldes de borracha de silicone para criar peças exclusivas de resina baseadas na estética Pop Art, as quais passou a expor em feiras de artesanato. Contudo, o esforço e o investimento não se traduziram no retorno financeiro esperado, tampouco abriram as portas para a entrada de suas telas no circuito das galerias. A vivência expôs de forma crua as dores e os obstáculos de ser uma artista empreendedora no país.
O jornalismo como ferramenta de fomento e orientação cultural
Diante das barreiras estruturais do setor, a solução encontrada foi utilizar a própria experiência e o aprendizado adquirido para auxiliar outros criadores através do jornalismo. No início do ano, a convite da jornalista Mara Luquet, passou a integrar um hub de jornalistas independentes do Google, realizado em parceria com o canal MyNews. Essa oportunidade tornou-se a plataforma ideal para abordar o mercado das artes de maneira pragmática.
Através de seu canal no YouTube (@rizzocarolina), a profissional conduz entrevistas com galeristas e especialistas, focando em desvendar as exigências do mercado, oferecer dicas de como conquistar espaço nas galerias e apontar os principais erros cometidos por quem deseja viver da arte. A experiência de ter sentido na pele as frustrações do setor a capacitou para dialogar com os especialistas com propriedade, formulando exatamente as perguntas que os artistas independentes precisam que sejam feitas. Esse trabalho de difusão e fomento cultural também se estende às ruas e às redes sociais, onde, através de seu Instagram (@arteporcarolinarizzo), colhe a opinião do público sobre seus artistas plásticos favoritos e promove ativamente a cena artística de Brasília.
