Bagagem em Arquitetura e UX impulsiona pesquisa em abstração geométrica

Bagagem em Arquitetura e UX impulsiona pesquisa em abstração geométrica

A artista visual Camila Zeni explora a relação entre cores, sobreposições e transparências em pinturas abstratas que integram coleções internacionais.

Da experimentação infantil à base multidisciplinar em Arquitetura e Tecnologia

A construção de um repertório visual sólido frequentemente resulta da soma de múltiplas vivências criativas e estruturais. Natural de Leme, no interior de São Paulo, a artista Camila Zeni teve seu instinto criativo validado desde a infância, quando os primeiros rabiscos nas paredes de casa foram incentivados pela família. Essa liberdade inicial desdobrou-se em uma imersão precoce no universo das artes manuais, passando por cursos de cerâmica, pintura em tecido, vitral, serigrafia e, posteriormente, pintura clássica a óleo. Ao buscar a profissionalização, o questionamento comum sobre a viabilidade da carreira artística a direcionou para a Arquitetura. Esse caminho acadêmico culminou em uma transição para a área de Tecnologia da Informação, onde atua até hoje com gerenciamento de projetos e User Experience (UX). Longe de afastar a artista das telas, essa bagagem corporativa e tecnológica aprimorou sua capacidade analítica de observar, organizar ideias e estruturar processos criativos complexos.

A transição da figuração para a identidade abstrata

Apesar da rotina no setor de tecnologia, a prática da pintura manteve-se constante. Após anos dedicados à pintura figurativa e, posteriormente, a experimentações com colagem e decoupage artística sob a orientação de Lúcia Siqueira, em São José dos Campos, Camila Zeni iniciou uma busca consciente por uma linguagem autoral. O incentivo para pesquisar a arte abstrata levou-a a uma descoberta técnica decisiva: a combinação entre tinta acrílica e pastel oleoso. A aplicação de faixas transparentes de cor e a sobreposição dessas camadas passaram a produzir vibrações e efeitos cromáticos que se tornaram a base de sua atual identidade visual.

O amadurecimento conceitual no Parque Lage

O ponto de inflexão na fundamentação teórica de sua obra ocorreu a partir de 2016, com a mudança para o Rio de Janeiro e o ingresso nos estudos no Parque Lage, no ateliê do artista Davy Cury. A imersão em discussões sobre história da arte, pensamento artístico e construção de linguagem consolidou seu entendimento de que toda produção contemporânea dialoga com o passado. Sua pesquisa alinhou-se a movimentos como o Neoplasticismo e a Op Art, absorvendo influências do estudo de cores e ritmos de expoentes como Piet Mondrian, Peter Halley, Jesús Rafael Soto e Paulo Pasta. A partir desse momento, a pintura deixou de buscar a representação de objetos ou paisagens para focar inteiramente na experiência visual e nas sensações provocadas pela relação entre as cores.

Expansão internacional e o novo momento na França

texto paragrO rigor dessa investigação cromática atraiu a atenção de colecionadores, levando suas obras a integrarem acervos em Singapura, Londres, Miami, Atlanta e Manhattan. Em novembro de 2024, um novo marco geográfico exigiu uma adaptação profunda em seu processo criativo. Com a mudança para a França e a ausência de espaço físico para telas de grandes proporções, a artista transferiu sua produção para o papel, com foco no formato A3. O que inicialmente se apresentou como uma limitação espacial transformou-se em um vetor de expansão para a sua pesquisa, estimulando a exploração de novas escalas, gestos e relações entre materiais.

Enxergando a arte como uma investigação contínua e inesgotável, a artista compartilha suas experimentações cromáticas, estudos em papel e obras finalizadas através de seu perfil oficial no Instagram [@camilazeni.art].afo

Pesquisador cultural. Dedica-se a mapear as novas vozes que passam a integrar o portfólio da Revista Creator. Apresenta análises detalhadas sobre a trajetória, a técnica e a poética de criadores que despontam no cenário atual.
Back To Top