O arquiteto e artista visual João Fogari une sua bagagem cultural e domínio espacial para criar séries pictóricas que integram arte e ambiente.
Bagagem cultural e as primeiras experimentações visuais
A formação de um repertório criativo sólido frequentemente se inicia na combinação de diferentes visões de mundo. Filho de uma historiadora e de um caminhoneiro, o artista plástico e arquiteto João Paulo Gomes Fogari (conhecido profissionalmente como João Fogari) cresceu viajando pelo interior do país, absorvendo simultaneamente uma perspectiva acadêmica e uma visão empírica que despertaram sua curiosidade pelas culturas e histórias humanas. Nascido em Astorga, no interior norte do Paraná, seu primeiro marco artístico ocorreu ainda na infância. Ao receber a tarefa escolar de desenhar um animal marinho, escolheu um cavalo-marinho. A reprodução feita a partir de uma imagem da enciclopédia Barsa chamou tanta atenção pela qualidade que seus pais o matricularam em uma escola complementar de criatividade e artes plásticas, onde estudou durante toda a infância.
Na adolescência, a prática do desenho era mantida pelo gosto de alimentar um blog pessoal. Aos 16 anos, a jornada ganhou contornos internacionais com um intercâmbio de um ano na Cidade do México, onde estudou artes plásticas na Casa de Cultura de Coyoacán. A proximidade com o bairro onde viveu Frida Kahlo proporcionou uma rica imersão em cores, texturas e composições que influenciam sua estética até o presente.
A união definitiva entre o desenho e a arquitetur
O retorno ao Brasil marcou a mudança para Curitiba e o ingresso na Universidade Federal do Paraná (UFPR). O primeiro emprego na capital paranaense, em uma marcenaria, revelou sua aptidão para o planejamento espacial, levando-o a conquistar uma vaga no curso de Arquitetura um ano depois. Durante a graduação, atuou por dois anos como professor no curso de desenho pré-vestibular da universidade. Essa experiência docente focava não em restringir a forma de desenhar, mas em ensinar o aluno a observar as proporções dos espaços e objetos, fornecendo ferramentas para que as regras pudessem ser quebradas de forma intencional.
Hoje, a prática do desenho à mão permanece como um exercício diário e essencial em seu processo criativo, distinguindo-se dos estímulos gerados pelas ferramentas digitais. Os cadernos de esboço consumidos anualmente funcionam como marcas temporais de sua evolução. A separação entre o arquiteto e o artista plástico deixou de existir; ambas as disciplinas se fundiram em uma única identidade profissional, pautada pela sensibilidade ao contexto, às formas, às cores e às pessoas.
Externalização da obra e inserção no mercado de arte
Até pouco tempo atrás, a produção artística era restrita a um círculo íntimo. O ponto de virada para a externalização de seu trabalho ocorreu há cerca de três anos, quando o arquiteto Marcelo Lopes o desafiou a criar obras exclusivas para seu ambiente na Casacor Paraná 2024. A coragem para comercializar as peças foi impulsionada por um conselho da artista Marilene Ropelato sobre o desapego criativo — “eu gosto que as obras vão cada vez mais longe e levem meu nome com elas” — e pelo incentivo de seu namorado, Lucca, que insistiu na divulgação das pinturas, resultando na primeira venda ainda em 2024.
Desde então, a visibilidade de seu trabalho cresceu expressivamente. Em abril de 2026, realizou uma pintura ao vivo no Museu Oscar Niemeyer (MON) durante uma apresentação da Orquestra Sinfônica do Paraná. No mesmo ano, desenvolveu duas obras especialmente para um ambiente da Casacor Paraná 2026, assinado pelas arquitetas Julia Tomita e Patricia Ampessan. Atualmente, o artista possui peças na Galeria Cenário (Curitiba) e obras expostas em espaços como a loja New Home Decor e a vitrine da loja de iluminação Ideally.
Séries autorais e o domínio da técnica material
A vivência com projetos de interiores permite que o artista imagine obras que dialoguem perfeitamente com a composição dos espaços. Sua técnica principal utiliza tinta acrílica diluída, que confere um efeito aquarelado e adiciona textura à tela, frequentemente complementada pelo uso de giz pastel. As criações, muitas vezes desenvolvidas sob encomenda, desdobram-se atualmente em três séries principais que, por vezes, se entrelaçam:
Série Figuras: A primeira do portfólio. Apresenta rostos que transitam entre o figurativo e o abstrato, caracterizados por traços definidos e marcantes sobre a tela.
Série Grid: Nascida de uma obra encomendada pelo Studio Marvollo para a Mostra Londrina Decor 2026. Inspirada pelas linhas ortogonais do projeto arquitetônico, explora telas em quadrículas, padrões de xadrez, listras e texturas.
Série Erros: A atual favorita do artista. O processo consiste em reproduzir o mesmo desenho repetidas vezes sobre a tela até alcançar a composição ideal. As figuras são sobrepostas, criando camadas e profundidade, inspiradas em uma mescla de rostos mapeados mentalmente que formam identidades novas e plurais.
Com uma produção mensal ativa e telas em formatos cada vez maiores, os planos em curto prazo incluem a estruturação de um ateliê físico próprio para facilitar a produção e sediar eventos. O portfólio completo, as composições das séries e as encomendas personalizadas podem ser acompanhados através de seu perfil oficial no Instagram [@joaofogari].
