
Em 2026, o Festival Arte Serrinha celebra 24 edições levando à Ocupação 9 de Julho, em São Paulo, uma exposição com mais de 50 artistas que participaram das residências de artes visuais realizadas nos últimos quatro anos. Criado em 2002, o festival tem na arte, na natureza e na convivência seus principais campos de investigação. A mostra aproxima dois territórios distintos, mas conectados por experiências de resistência, cuidado e transformação: a paisagem da Serrinha e a Ocupação 9 de Julho, espaço de moradia, cultura, educação e economia solidária organizado pelo Movimento Sem Teto do Centro (MSTC).

A Choque Cultural participa da curadoria e dá suporte à produção do projeto, contribuindo com o método desenvolvido em sua trajetória de mais de duas décadas: pensar fazendo e fazer pensando. Durante as residências, coordenadas por Mariana Martins e Baixo Ribeiro, a reflexão curatorial e a realização artística acontecem simultaneamente, por meio do acompanhamento das pesquisas, de encontros individuais, conversas coletivas e da construção compartilhada das exposições. Esse processo reúne artistas experientes e jovens em início de percurso, promovendo a circulação de conhecimentos, práticas e repertórios entre diferentes gerações.

Pinturas, desenhos, fotografias, colagens, esculturas, instalações, objetos, vídeos, projeções e performances investigam as relações entre natureza e cidade, corpo, memória, paisagem e território. As matas, águas, plantas e histórias da Serrinha encontram o centro de São Paulo e revelam elementos ocultos ou soterrados pela paisagem urbana, como rios, córregos, nascentes, espécies vegetais e memórias coletivas. As obras formam uma cartografia entre mata e concreto, campo e metrópole, nascente e avenida.

A exposição dedica atenção especial ao Bixiga e ao território do antigo Quilombo Saracura, onde foram encontrados, durante as obras da Linha 6-Laranja do Metrô, vestígios arqueológicos relacionados à presença histórica e às práticas culturais e religiosas da população negra. Com a participação das arqueólogas Lúcia Juliani e Tereza Parente, da A Lasca Arqueologia, arte e arqueologia se aproximam para ampliar as formas de observar, interpretar e produzir sentidos sobre o território. A mostra também se relaciona com o projeto do Parque do Rio Bixiga, antiga reivindicação do Teatro Oficina, que prevê a reabertura do córrego atualmente soterrado.

Com curadoria compartilhada coordenada por Fabio Delduque, artista visual e diretor do Festival Arte Serrinha, em parceria com Baixo Ribeiro e Mariana Martins, da Choque Cultural, e com a artista Virgínia de Medeiros, a Ocupação Serrinha transforma a exposição em parte do próprio processo de criação. Ao articular formação, produção, pesquisa e convivência, o projeto reafirma a atuação da Choque Cultural na construção de experiências curatoriais coletivas e conectadas aos territórios. A Serrinha chega à 9 de Julho para ocupar e também para ser ocupada, deixando sua arte na cidade e recebendo, em troca, novas histórias, presenças e possibilidades de criação.



ARTISTAS
Ana Roberta Lima, André Weigand, Arlette Kalaigian, Artur Torresan, Bella Tozini, Bia Raposo, Carolina Prado Pinto, Ciro Bortolucci, Cris Amaral, Cristina Canepa, Debora Comar, Denilson Santana, Fabio Delduque, Felipe R. Costa, Felipe González, Fernanda Cobra, Gabriela Mamodisi, Giovana Valeriano, Giovanna Mitrani, Giulia D’Andrea, Gustavo Godoy, Helena Ruschel, Heloisa Lodder, Ilana Majerowicz, José Roberto Aguilar, Ju Bessler, Juliana Maia, Lia Morena, Lucas Ávila, Lucas Bambozzi, Lúcia Juliani, Mamanãh, Mareia das Manas, Marcelo Delduque, Mari Pini, Maria Fernanda Carmignotto, Mariana Leal de Barros, Mariana Pabst Martins, Mariana Weigand, Marina Zardo, Nicole Leite, Patrícia Kede Godoy, Raquel Fayad, Renata Barreto, Roberta Naufal, Roberta Piccolo, Rodrigo Bueno, Suzana Rievers, Tainá Alves Custódio, Tereza Parente, Ulli Nalin, Verônica Spnela, Virgínia de Medeiros e Zá Szpigel.

SERVIÇO
Ocupação Serrinha
Local: Ocupação 9 de Julho
Rua Álvaro de Carvalho, 427, São Paulo
Período: de 5 de setembro a 3 de outubro de 2026
Visitação: sábados e domingos, das 11h às 18h
Entrada gratuita
