O artista emergente Pedro Buregio utiliza a pintura visceral e a arteterapia para explorar o expressionismo abstrato, a psicanálise e a cultura urbana.
A consolidação de uma poética frequentemente exige a travessia de crises pessoais profundas. Para Pedro Coutinho Buregio, de 23 anos, o desenho e a aquarela ocupavam um espaço silencioso desde a infância, mas ganharam força transformadora apenas recentemente. Aos 21 anos, após um período de turbulência, o artista encontrou na arteterapia junguiana — conduzida pela profissional Camila Vieira — e em uma imersão de fluxo criativo com Thiago Beltrão os catalisadores exatos para a sua produção. Esse mergulho guiado no autoconhecimento reconfigurou sua percepção sobre sensibilidade e criação, impulsionando a busca autodidata por uma linguagem plástica honesta que desse conta de suas inquietações.
O estudo da matéria e o rigor do expressionismo
A transição definitiva para a pintura em tela não ocorreu de forma leviana; ela exigiu um rigoroso estudo independente da tinta acrílica. Antes de iniciar sua produção, Buregio dedicou-se à pesquisa exaustiva de texturas, diluições, peso visual e comportamento da tinta fluida. O resultado prático é uma estética crua, fortemente ancorada no drip painting e em camadas sobrepostas aplicadas diretamente do tubo. Movido pela energia do expressionismo abstrato, ele absorve a influência direta de mestres como Jackson Pollock e o brasileiro José Roberto Aguilar, priorizando a força instintiva do gesto e a energia orgânica do momento criativo.
A filosofia no verso e a herança das ruas
Longe de abandonar suas incursões prévias pela literatura, o artista integra a disciplina textual ao seu ateliê. A escrita, alimentada por estudos independentes em sociologia, psicanálise e filosofia, atua como uma extensão visceral da tela. Buregio desenvolveu a assinatura técnica de escrever reflexões e poemas no verso de suas obras, criando um manifesto sem filtros projetado especificamente para indagar e incomodar o espectador. Esteticamente, essa necessidade de ocupação de espaço e movimento é um reflexo direto de sua criação profundamente conectada à cultura do skate e à dinâmica das ruas, sintetizando uma visão urbana sobre a liberdade do caos.
O ritmo sonoro no ateliê e os próximos passos
O processo de execução de suas telas recusa o silêncio. A criação é estritamente guiada pela cadência sonora do maracatu e do jazz, ritmos que ditam a intensidade emocional de suas pinceladas. Assumindo-se como um artista emergente em constante construção identitária, sua produção atual foca na finalização de novas telas para ingressar formalmente no circuito de galerias. Seu objetivo transcende a simples produção de imagens decorativas, buscando criar experiências experienciais que conectem arte, emoção e consciência.
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O acompanhamento de sua evolução técnica e o contato direto podem ser realizados através de seu perfil no Instagram [@Pedroburegio].
