A artista Lia D’Almeida Gemaque utiliza a arte amazônica, a coleta de sementes locais e o design têxtil para exaltar a memória e a natureza do Pará.
A reinvenção profissional frequentemente atua como um resgate de vocações silenciadas. Nascida em Belém do Pará, Lia D’Almeida Gemaque construiu uma carreira sólida de 17 anos na advocacia antes de vivenciar uma profunda revisão de trajetória durante a pandemia. A necessidade de reconexão com o universo criativo de sua infância operou como um chamado definitivo para as artes visuais. Em janeiro de 2022, ela assumiu essa ruptura e fundou o Arte Orgânica Ateliê, estruturando uma pesquisa plástica que recusa o efêmero para dialogar frontalmente com os saberes ancestrais, os elementos naturais e a densidade histórica da cultura amazônica.
A materialidade botânica e a coleta sustentável
O rigor de sua produção encontra-se na relação direta e sustentável com a biodiversidade local. Em vez de recorrer a suprimentos industriais padronizados, a artista estrutura suas obras através da coleta manual em solo paraense. Galhos de açaí, folhas secas e uma curadoria minuciosa de sementes — como murumuru, olho de boi, paxiubinha e jarina — passam por processos cuidadosos de secagem e impermeabilização no ateliê. Essa matéria orgânica bruta é então combinada à técnica de embalagem de fibras, utilizando fios, linhas e barbantes, e finalizada com intervenções pontuais de tintas acrílicas, spray e verniz, garantindo a durabilidade e a sofisticação tátil de cada escultura.
Iconografia ancestral e o impacto da COP 30
A fusão entre arte, natureza e identidade afasta esse acervo do mero utilitarismo decorativo. O destaque da produção recai sobre os cocares têxteis — que prestam forte homenagem estética e simbólica aos povos originários — e as esculturas orgânicas, como os robustos colares de mesa. Essa narrativa visual carrega intenção e memória, estabelecendo uma conexão sensorial profunda com quem a consome. O posicionamento estratégico dessa linguagem ganhou um impulso irrefutável com o movimento e a ampliação de interesse gerados pela COP 30 em Belém, atraindo o olhar ávido de colecionadores, arquitetos e designers de outras regiões e países para a verdadeira potência criativa do bioma amazônico.
Validação institucional e mostra em cartaz
Consolidando sua assinatura no mercado desde a exposição individual “Raízes” (2024), as obras da artista já ocupam espaços de alto padrão, como hotéis, clínicas e galerias de arte na capital paraense, com os registros visuais de suas obras frequentemente assinados pela fotógrafa Thaís Verônica Pereira (@tveronica_). Para o público interessado em imergir nessa estética regional, seu acervo compõe a mostra atualmente em cartaz no Centro Cultural da Justiça Eleitoral do Pará (CCJE), localizado na Rua João Diogo, 254, na Cidade Velha, em Belém. A exposição possui entrada franca e permanece aberta para visitação até o dia 3 de junho, das 8h às 14h.
O portfólio completo e o contato para aquisições estão disponíveis no Instagram [@arteorganica.atelie].
