O arquiteto e professor Giovanni Di Prete assume sua produção nas artes visuais, unindo o rigor do desenho técnico à liberdade poética do pastel seco.
A assunção de uma identidade criativa ganha contornos de complexidade quando acompanhada por um legado histórico denso. Arquiteto e professor, Giovanni Di Prete carrega no sobrenome a herança direta de seu avô, Danilo Di Prete — nome central na história da arte ítalo-brasileira e um dos fundadores da Bienal de São Paulo. Durante anos, essa referência atuou de forma silenciosa, baseando a construção de uma produção visual mantida no rigor do âmbito privado. Agora, o criador decide expor formalmente seus trabalhos, inaugurando um capítulo onde assume sua produção autoral e reinterpreta esse legado sob uma chave estritamente contemporânea, afirmando sua própria voz no circuito de artes visuais.
O rigor estrutural frente à fragmentação
A bagagem acadêmica no campo da arquitetura forneceu a base indiscutível para o desenvolvimento de um olhar apurado sobre espaço, forma e composição. Contudo, é no desenho e na pintura que o artista encontra um território intuitivo de investigação onde a rigidez cede espaço à experimentação. Sua obra recusa a mera observação passiva; as imagens são construídas como quem projeta organizando fluxos, ritmos e tensões. Nessas composições, figuras humanas se multiplicam em camadas sugerindo o corpo em deslocamento contínuo, enquanto linhas angulares e estruturas geométricas se entrelaçam a formas orgânicas. O resultado visual é a construção de cartografias sensíveis e paisagens que operam no limiar exato entre o real e o imaginado.
A materialidade técnica e a subversão do traço
A escolha dos materiais atua como uma extensão direta de seu conceito de fusão disciplinar. A produção desenvolve-se através de técnicas mistas sobre papel. A utilização de canetas marcadoras e lápis de cor remete ao universo do desenho técnico e dos croquis arquitetônicos, impondo controle e angulação. O contraste intelectual ocorre com a introdução do pastel seco, que atua como o elemento primário de subversão tátil. Através de sua opacidade, textura e da mistura realizada diretamente com os dedos, o pastel dissolve a rigidez inicial geométrica, criando atmosferas atmosféricas e livres. O diferencial metodológico de sua pesquisa repousa justamente nesse equilíbrio tenso entre o domínio do traço e a imprevisibilidade do pigmento.
A investigação do tempo e o acervo visual
Mais do que criar representações estéticas ilustrativas, a obra atua como uma investigação focada no corpo como estrutura, no espaço como experiência e no tempo como uma sobreposição de planos. Valendo-se inteiramente de registros fotográficos de seu arquivo pessoal para documentar sua trajetória, o artista estabelece novos diálogos críticos que tensionam a tradição e a criação livre.
Para curadores, colecionadores e entusiastas que desejam acompanhar a evolução dessa identidade artística em sua fase pública, o acervo de obras e o contato direto estão centralizados em seu perfil no Instagram [@diprete.art].
