Após superar uma depressão, a artista Camila Cardenaz deixa a indústria da moda para focar na arte como cura através da aquarela botânica no interior.
A superação da depressão através da imersão criativa
O esgotamento mental gerado por ritmos corporativos tem provocado movimentos profundos de redirecionamento profissional no mercado contemporâneo. A transição de ambientes altamente comerciais para o interior, em busca de qualidade de vida, frequentemente encontra na expressão manual uma via prática de recuperação. É exatamente neste cenário de reestruturação que a artista Camila Cardenaz decidiu, após enfrentar um quadro de depressão severa em 2024, pedir demissão de seu emprego formal, mudar-se para o interior e utilizar a arte como cura para mergulhar de forma genuína naquilo que de fato ressoava com sua identidade.
A bagagem da indústria têxtil e a afirmação botânica
Formada e pós-graduada em Design de Moda pela Faculdade Santa Marcelina, a criadora carrega uma sólida experiência de uma década na área têxtil, com atuação direta em pesquisa de tendências e coloração de estampas para grandes marcas como Le Lis Blanc e Havaianas. O início de sua produção autoral foi marcado por tentativas de adequação ao mercado de arte, mas a virada estrutural ocorreu apenas ao abandonar a necessidade de agradar ao grande público. O resgate de sua conexão autêntica com a natureza, a valorização das pausas no cotidiano e a retomada das composições botânicas que marcaram sua vida profissional criaram um vínculo real com uma audiência específica e cativa.
A fluidez da aquarela e a abstração visual
Sua pesquisa plástica afasta-se da rigidez realista, tendo o ambiente natural como eixo principal para traduzir seu fascínio por formas, cores e transparências. A técnica escolhida para materializar essa leitura de mundo é predominantemente a aquarela, material que lhe permite explorar a fluidez, a quantidade de água e a fusão de pigmentos. A composição final de suas pinturas, permeada por tons vibrantes, flerta diretamente com o abstracionismo e incorpora um elemento lúdico à obra: a inserção intencional de detalhes escondidos entre as camadas de cor, com destaque para linhas do corpo humano e, principalmente, mãos.
Voluntariado, live painting e o acervo em exposição
A compreensão da arte como ferramenta para expressar sentimentos e facilitar diálogos complexos transcende o ambiente solitário do ateliê. A artista atua como voluntária em uma casa de acolhimento para crianças no interior, público que interage de perto com seu trabalho durante suas ações de pintura ao vivo (live painting) e para o qual ela planeja ministrar aulas futuramente.
Consolidando sua trajetória autoral, em junho deste ano a pintora participará de uma feira de artes na Incubadora de Artistas de Atibaia, onde lançará oficialmente sua nova coleção temática, apropriadamente intitulada “Flores que Curam”. O desenvolvimento do projeto pode ser acompanhado através do perfil no Instagram [@crdz_camila].
