A artista plástica Iuli une pintura e escultura através da arte sensorial, utilizando cerâmicas e bordados para revelar padrões esquecidos no cotidiano.
O rompimento da tela e a provocação do tato
Em um circuito estético frequentemente pautado pela regra estrita do distanciamento físico, a subversão da bidimensionalidade surge como um convite irresistível à exploração tátil. Desafiando os limites convencionais que separam a pintura da escultura, a artista plástica Iuli estruturou sua pesquisa estética através da arte sensorial. Suas obras são projetadas para transcender o limite da tela plana, criando volumes contundentes que despertam no espectador o instinto primário de “ver com as mãos” — uma provocação direta e consciente baseada em seu próprio desejo de infância de tocar as texturas presentes nas exposições e museus.
A pluralidade de materiais e a materialização de sensações
O processo criativo da profissional recusa amarras estruturais ou limitações técnicas pré-definidas. Em vez de se restringir unicamente à aplicação de tinta, o desenvolvimento de cada nova peça exige uma busca orgânica pelo elemento exato que consiga transmitir a sensação pretendida no projeto. Essa liberdade metodológica resulta em uma rica sobreposição de suportes táteis, onde o trabalho frequente e aprofundado com a cerâmica dialoga ativamente com intervenções em bordados, fios de lã e azulejos, garantindo que o objeto artístico literalmente salte para o ambiente.
A leitura do mundo através de repetições invisíveis
O eixo conceitual que costura e fundamenta essa multiplicidade de materiais é uma investigação rigorosa sobre os padrões e as repetições sistêmicas. A poética da criadora baseia-se na premissa de que seres, objetos e lugares inscrevem constantemente suas histórias no mundo material, ainda que de forma silenciosa e frequentemente despercebida. A repetição física em seu trabalho atua como um idioma visual capaz de comunicar essas vivências invisíveis, atestando que a observação focada nos padrões é uma ferramenta essencial e poderosa para traduzir o mundo ao nosso redor.
A desaceleração imposta pela textura e o acesso ao acervo
A inserção dessas composições de técnica mista no ambiente exige uma mudança de postura por parte de quem as observa. Cada forma, relevo e material integrado atua como um mecanismo visual que conduz o público a um estado de desaceleração obrigatória, instigando o questionamento crítico sobre quantas histórias cruzam a nossa rotina sem o devido reconhecimento.
Para colecionadores e entusiastas do design contemporâneo que desejam acompanhar a evolução contínua dessas criações híbridas, o portfólio e o contato direto com o ateliê estão centralizados no perfil do Instagram [@iuli.arte].
