A artista Sissi Soares investiga a força e a reclusão do universo feminino unindo bordado livre, aquarela e feltragem em obras de arte têxtil singulares.
A fusão de técnicas manuais como expressão do feminino
O resgate das técnicas manuais tem se consolidado como um poderoso veículo de expressão para narrativas profundas e identitárias no cenário das artes visuais contemporâneas. Ao subverter a tradição do artesanato para construir uma linguagem madura, a artista Sissi Soares investiga o universo feminino através da fusão entre bordado livre, pintura e feltragem. Suas criações têxteis materializam emoções, força, presença e momentos de reclusão, transformando a sobreposição de fibras em um espelho tátil da complexidade da mulher.
Formação acadêmica e o encontro com o bordado livre
A consolidação dessa poética visual é sustentada por uma sólida base teórica e acadêmica. Baseada em São Paulo, a criadora é formada em Artes Plásticas pela Faculdade Santa Marcelina e possui pós-graduação em Doença Mental e Educação Especial pela UNESP. O interesse por suportes têxteis iniciou-se através de hobbies como a tecelagem, a costura criativa e o patchwork. Contudo, o ponto de virada técnico ocorreu de forma definitiva em 2017, com a descoberta do bordado livre. O encanto pela liberdade de escolha dos pontos permitiu a integração orgânica dessa técnica com a aquarela e a feltragem (seca e molhada), estruturando sua identidade artística atual.
Obras táteis, intuição e a valorização da imperfeição
O desenvolvimento de cada peça no ateliê ocorre de maneira intuitiva. Mesmo partindo de concepções pré-definidas, o comportamento natural das matérias-primas frequentemente funde cores e texturas, ditando novos caminhos e transformando pequenas imperfeições em garantias de exclusividade. As obras são projetadas com formas orgânicas para serem observadas de perto, exigindo que o espectador interaja com as camadas, relevos e mudanças de luz. Esse conceito é materializado em peças simbólicas como “Luna”, favorita da autora que une a aquarela ao movimento do bordado livre, e “Tear da Vida”, que sintetiza as três técnicas principais da artista para retratar o recolhimento feminino.
Reconhecimento internacional e futuras exposições
A imersão diária entre tintas, águas e lãs atua como um processo contínuo de meditação e resultou em um amplo reconhecimento do circuito curatorial. A artista acumula participações em mostras de peso, como a “Arte e Mulher” (no Solar Fabio Prado e Art Lab Gallery), além de ter sido premiada no 6º Salão de Arte CW em Lisboa, Portugal (2022), com a obra “Ângela Davis”.
Mantendo sua expansão mercadológica, a autora tem presenças confirmadas no Salão de Artes de Paris (França), em outubro de 2026, e na 46° EXPO ARTE SP, que ocorrerá na Galeria Caribé em novembro do mesmo ano. O acervo completo focado no feminino e nos detalhes têxteis pode ser acompanhado através do perfil no Instagram [@sissisoares].
