Artista visual Bona Sunama traduz seus sonhos em obras que equilibram delicadeza e estranhamento.
A transposição dos sonhos para os painéis
Mais do que simplesmente criar imagens, a construção de mundos imaginários exige uma sensibilidade capaz de transitar entre a realidade e o lúdico. Em uma produção onde a lógica fragmentada do universo onírico é preservada, personagens antropomórficos habitam paisagens inventadas, permitindo que animais e figuras humanas convivam com naturalidade. Grande parte dessas composições surge literalmente durante o sono. Os sonhos transformam-se em esboços logo ao despertar, evoluindo para pinturas que oferecem ao observador recortes de histórias e instantes suspensos, deixando as narrativas abertas para que o próprio público complete a obra com suas memórias e emoções particulares.
O equilíbrio sutil entre o estranhamento e a delicadeza
A produção estética dialoga de forma muito natural com o surrealismo contemporâneo, sem necessariamente tentar reproduzir seus códigos mais tradicionais ou engessados. O elemento fantástico manifesta-se de maneira sutil por meio de criaturas híbridas e cenários silenciosos, onde cenas aparentemente simples abrigam pequenas rupturas que provocam um leve estranhamento, mas sem nunca romper com a delicadeza inerente às composições. Nesse cenário, a natureza deixa de ser um mero plano de fundo para assumir o papel de protagonista. Árvores, plantas, animais e montanhas participam ativamente da construção simbólica das imagens, sugerindo um mundo de coexistência pacífica que reforça temas profundos como memória, transformação e travessia.
Bagagem acadêmica e a forte influência da tatuagem
A consistência desse trabalho autoral é respaldada por uma sólida base teórica e prática. Com formação em Design e Tecnologia da Moda, pós-graduação em Artes Visuais e formação pedagógica na mesma área, a criadora amadureceu a linguagem visual que já se manifestava desde os seus desenhos de infância. Além do embasamento acadêmico, a experiência prévia como tatuadora contribuiu de forma decisiva para a consolidação de sua identidade estética atual. O domínio técnico do desenho e a precisão do traço traduzem-se em formas extremamente limpas aplicadas sobre painéis de madeira. Utilizando tinta látex, a pintura abdica do volume tradicional gerado por luz e sombra em favor de cores chapadas e contornos muito bem definidos, o que garante o protagonismo total da narrativa.
Um convite visual à pausa e à contemplação
Fugindo da necessidade de enquadrar sua produção em um único estilo limitante, o propósito central das obras é preservar a liberdade interpretativa de quem as observa. Cada painel funciona como um autêntico portal entre a realidade tátil e a imaginação, convidando as pessoas a desacelerarem o ritmo do cotidiano para contemplar e atravessar as paisagens construídas.
Raquel Küster Bona, sob o nome artístico Bona Sunama, compartilha seus novos esboços, processos de pintura em madeira e obras finalizadas exclusivamente através de seu perfil no Instagram [@bona.sunama].
