A artista visual Beth Rocha utiliza a cerâmica contemporânea para investigar a relação entre corpo, espaço e matéria em formas táteis.
A construção de um repertório visual consistente frequentemente exige deslocamentos geográficos e intelectuais. Para a artista visual e educadora Beth Rocha, o despertar para a matéria ocorreu de forma visceral aos 13 anos, ao visitar a casa do Mestre Vitalino em Caruaru (PE). Esse encontro com o barro marcou profundamente seu imaginário e definiu a cerâmica como a linguagem central de sua produção. Sua trajetória foi posteriormente estruturada por uma sólida base acadêmica, somando a formação em Artes Plásticas pelo Instituto Metodista Bennett (RJ), estudos em Design na La Jolla Academy of Advertising and Arts (EUA), especialização em Psicologia Junguiana pela PUC-Rio e passagens pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage, criando uma prática que articula o fazer manual à reflexão simbólica.
O corpo como abrigo e a escala da matéria
A poética desenvolvida no ateliê investiga intensamente a ideia da casa como uma extensão direta do corpo humano. Obras marcantes de seu acervo, como as da série “Casulos de terra”, exploram estruturas que evocam proteção, interioridade e gestação, estabelecendo uma relação física e de escala quase imponente com o espectador. Contudo, o isolamento imposto pela recente pandemia provocou uma inflexão sensível nessa pesquisa. Em um momento de recolhimento, a artista migrou das formas amplas para a execução de peças miúdas e íntimas, tratando a argila como fragmentos de vestígios. Essa redução de proporção refletiu uma adaptação emocional e uma nova forma de dialogar com o tempo.
A expansão bidimensional e o fomento cultural
Longe de se limitar ao volume tridimensional tradicional da escultura, a pesquisa de Beth avança agora para novos suportes. A artista tem incorporado a argila ao campo bidimensional, transformando o barro em pigmento para pinturas e desenhos onde a matéria deixa de ser puramente volume e torna-se superfície e gesto inscrito. Além dessa evolução estética autoral, ela exerce um papel vital no fomento artístico carioca como diretora do Cedro da Gávea. Fundado em 2017 no Rio de Janeiro, o espaço consolidou-se como um prestigiado ambiente de formação, oferecendo aulas, workshops e exposições voltadas para jovens e adultos em processo de profissionalização nas artes visuais.
Validação curatorial e presença institucional
A maturidade de sua investigação garante a circulação constante da obra em espaços de relevância crítica. Atualmente, a artista integra a tradicional mostra “Novíssimos 2026”, em exibição na Galeria Ibeu (Rio de Janeiro) até maio, sob curadoria de Bruno Miguel. No mesmo período (abril e maio de 2026), seu trabalho ocupa a Galeria Gamma, em Maceió, com curadoria de Vera Gamma, resgatando um profundo vínculo afetivo com a região de origem de sua família. Com passagens destacadas pela Bienal Black Brazil Art nas edições de 2019-2020 e 2024 (sob curadoria de Patrícia Brito), seu acervo atrai colecionadores e curadores focados na dimensão simbólica da arte.
O portfólio completo e o contato direto podem ser acompanhados através do Instagram [@beth.rocha.art].
