Após um burnout na área de tecnologia, Daniela Cit Werle cria o Entrelaços Ateliê, unindo bordado e feltragem para eternizar memórias afetivas.
O resgate do feito à mão contra a exaustão digital
O esgotamento mental provocado pelo ritmo acelerado e volátil do mercado corporativo tem feito com que profissionais busquem refúgio no tempo orgânico dos ofícios manuais. O que inicialmente surge como uma atividade terapêutica para lidar com o estresse frequentemente se transforma em um novo modelo de vida e negócios. Inserida neste contexto de transição, Daniela Cit Werle, criadora da marca Entrelaços Ateliê, encontrou na arte têxtil um verdadeiro antídoto contra a exaustão da vida moderna. Após enfrentar um severo quadro de burnout em sua carreira formal, ela transformou a desaceleração imposta pelo feito à mão em sua atividade principal, provando que o trabalho manual tem o poder de reabilitar a saúde mental e gerar independência.
Da tecnologia de volta às raízes artesanais
A conexão da fundadora com as linhas e agulhas antecede sua consciência sobre o termo “arte têxtil”. Crescendo cercada por uma família de artesãs, aprendeu a fazer crochê e a bordar ponto cruz ainda na infância, chegando a comercializar peças com sua avó materna. Apesar dessa rica herança, buscou outros caminhos profissionais: cursou Geologia e formou-se em Design Gráfico, atuando por anos como UX Designer no mercado de tecnologia. Foi no momento mais crítico dessa trajetória digital que a arte retornou como mecanismo de sobrevivência. O ofício a ensinou a respeitar seu próprio tempo e a abandonar o modelo de trabalho CLT, consolidando a decisão de empreender e dedicar sua atenção e intenção integrais a cada etapa do processo artesanal.
Retratos feltrados e o universo lúdico da maternidade
A identidade visual do ateliê estruturou-se na mistura das técnicas de bordado livre e feltragem com agulha — também conhecida como pintura com lã. Utilizando fotografias como referência primária, as fibras são esculpidas gradualmente para compor retratos que homenageiam entes queridos, celebram casamentos ou nascimentos. Em vez de focar no hiper-realismo, a artista busca uma tradução afetiva e ilustrativa, utilizando tons suaves, texturas naturais e elementos em madeira para transmitir a sensação de conforto e acolhimento de um abraço. Esse estilo delicado foi abraçado pelo universo infantil, de modo que atualmente 90% dos quadros de porta-maternidade desenvolvidos pela marca incorporam a feltragem para conferir uma atmosfera lúdica e exclusiva aos ambientes.
Gestão para artesãs e o futuro na educação têxtil
Compreendendo que a sustentabilidade do artesanato exige mais do que inspiração, a empreendedora aliou sua bagagem tecnológica à vivência manual para co-criar o “Use Bordô”, uma plataforma de gestão desenvolvida especificamente para auxiliar bordadeiras a precificar, controlar estoques e gerir encomendas, profissionalizando o nicho para milhares de mulheres. Olhando para o futuro, o foco da criadora volta-se para a expansão educacional. O planejamento visa retirar a arte do ambiente solitário do ateliê através de encontros presenciais para o ensino da feltragem e do bordado, proporcionando aos alunos o mesmo respiro que transformou sua vida.
O acervo de obras sensoriais e as novidades da marca podem ser acompanhados através do perfil no Instagram [@oentrelacosatelie].
